Sérvia assinala com sirenes e coroas de flores os dez anos dos bombardeamentos da Nato

24.03.2009 - 18:30 Por PÚBLICO
Houve um minuto de silêncio nas escolas, ouviram-se sirenes e os sinos das igrejas. A Sérvia assinalou hoje a passagem de dez anos após os bombardeamentos da Nato para expulsar as forças sérvias da província do Kosovo e evitar uma campanha de limpeza étnica contra os albaneses. Para a Sérvia foram “bombardeamentos ilegais”. No Kosovo foi festejado “um grande acontecimento histórico”.
Os bombardeamentos começaram a 24 de Março de 1999 e prolongaram-se por 11 semanas. Morreram cerca de 500 civis, segundo a organização não governamental Human Rights Watch, mas o primeiro-ministro sérvio, Mirko Cvetkovic, referiu um número de vítimas civis mais elevado: 2500 pessoas, incluindo 89 crianças, para além de mil soldados e polícias. Um relatório divulgado este mês pela ONG Cluster Munition Coalition considerou que mais de 90 mil sérvios estarão ainda em perigo devido à existência de 2500 engenhos que foram lançados nesses bombardeamentos mas não explodiram.
Ao início da manhã o Governo sérvio reuniu-se num encontro especial para assinalar a data. “O ataque contra o nosso país foi ilegal, contrário ao direito internacional e perpetrado sem uma decisão da ONU”, considerou Mirko Cvetkovic. “Os ataques aéreos não resolveram os problemas do Kosovo e não ajudaram a instaurar a paz e o respeito pelas leis. Pelo contrário, provocaram limpezas étnicas, violações grosseiras dos direitos humanos e das normas internacionais”, disse, citado pela AFP.
Para o Kosovo, os bombardeamentos de há dez anos impediram a continuação do massacre de albaneses e abriram caminho à independência do país. “O sucesso desta operação da Nato abriu um novo capítulo na história do Kosovo, um capítulo de liberdade e edificação da democracia”, considerou o primeiro-ministro Hashim Thaçi. “Foi um grande acontecimento histórico para o Kosovo e o mundo democrático”. Também o Presidente kosovar, Fatmir Sejdiu, disse à AFP que “o ataque de 78 dias salvou o povo do Kosovo do extermínio planeado” e representou “um acto de humanismo sem par, nascido da ideia sublime de defender as vidas humanas”.
A Nato iniciou as operações militares depois de o então líder sérvio Slobodan Milosevic ter recusado assinar um acordo para terminar com a repressão das forças sérvias contra o Exército de Libertação do Kosovo (UÇK).
Em Belgrado foram colocadas coroas de flores junto aos monumentos de homenagem às vítimas e um grupo ultranacionalista convocou uma manifestação contra a Nato na capital sérvia. Dez anos depois, a Sérvia continua a opor-se à independência do Kosovo, declarada unilateralmente em Fevereiro do ano passado e já reconhecido por 57 países de todo o mundo, 22 dos quais membros da UE.


