Preso há 17 meses, o oligarca Mikhail Khodorkovski, que já foi o homem mais rico da Rússia, deveria conhecer hoje a sua sentença num processo por fraude, corrupção e evasão fiscal que, dizem os seus partidários, tem motivações políticas. A sentença foi, porém, adiada para o dia 16 de Maio.
O advogado de acusação pediu uma pena de dez anos para o antigo patrão da maior petrolífera russa, a Iukos. Se a pena for menor - entre um ano e meio e dois, por exemplo - é um sinal de que o Presidente Vladimir Putin está disposto a parar por aqui a guerra contra Khodorkovski, afirmam alguns observadores.
"Se ele for condenado a dois anos [...] significaria que o Kremlin lhe estava a estender um ramo de oliveira", explicou à Reuters o analista político Michael Heath. Se, como afirmam os defensores do oligarca, o objectivo de Putin tiver sido cortar pela raiz quaisquer ambições políticas de Khodorkovski, uma pena relativamente curta já seria suficiente para o impedir de concorrer às eleições presidenciais de 2008, nas quais Putin não poderá voltar a candidatar-se.
Mas também pode acontecer que o Kremlin queira dar um sinal claro a outros oligarcas e opositores e Khodorkovski venha a ter uma sentença pesada. Antes da sua detenção, o milionário começara a financiar vários partidos políticos, de diferentes tendências, o que chamou as atenções sobre ele. Em 2003, foi preso por uma unidade especial da polícia quando o seu avião privado aterrou na Sibéria.
Acusado de vários crimes, entre os quais o de ter "organizado um grupo criminoso", Khodorkovski, de 41 anos, declarou-se inocente nas suas alegações finais no julgamento, no início do mês. Reconheceu apenas que não deu "um bom oligarca" e frisou que não fugiu da Rússia embora tivesse recebido inúmeros conselhos para o fazer.
Na semana passada, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, avisou que o veredicto deste processo será seguido atentamente em Washington, para ver se a justiça russa está a funcionar de forma correcta.


