Senador John McCain critica speaker do Congresso por não ter protestado contra tortura em Guantánamo

13.05.2009 - 14:34 Por Agências
O senador John McCain, candidato republicano às presidenciais do ano passado nos Estados Unidos, lançou uma crítica feroz à speaker da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, sustentando que esta tivera conhecimento, desde pelo menos 2003, das controversas técnicas de interrogatória utilizadas pelos norte-americanos na prisão militar de Guantánamo.
“Ela foi informada e se achava mal devia ter agido”, afirmou o senador na noite de ontem, asseverando que ele próprio recebeu aquela informação. “E protestei de forma veemente”, avançou.
Estes comentários de McCain – que põem Pelosi no centro de dura polémica – seguiram-se à publicação, ainda na terça-feira, de um artigo no jornal "Politico" em que uma fonte anónima, próxima da speaker, revelou que esta sabia desde o início de 2003 que era usada a simulação de afogamento nos interrogatórios dos prisioneiros, uma técnica condenada como tortura. Precisou a mesma fonte que Pelosi jamais protestou directamente junto da CIA por ter achado que esse curso de acção era “inapropriado”.
A controvérsia surgiu quando, na semana passada, a imprensa norte-americana deu conta que um conselheiro de Nancy Pelosi tinha assistido a um briefing em Fevereiro de 2003, no qual fora abordada a utilização da simulação de afogamento em Guantánamo. As técnicas de interrogatório usadas na prisão militar foram, de resto, tema de pelo menos 40 briefings feitos aos membros do Congresso norte-americano.
Mas Pelosi rejeitou as sugestões de ter sido informada ou silenciado a prática daquelas técnicas. Afirma que assistiu a apenas um único briefing, em 4 de Setembro de 2002, durante o qual a CIA garantiu que aqueles métodos não eram usados – apesar de existirem notas internas a condená-los. A speaker do Congresso fizera um comunicado, já em Dezembro de 2007, explicando que fora informada em 2002 sobre técnicas de interrogatório que a Administração do então Presidente George W. Bush pretendia pôr em prática no futuro.
O chefe da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, reagindo também às revelações feitas pelo "Politico", avançou que “a ser feito um inquérito, todos os implicados, tanto na Administração como no Congresso, serão seguramente investigados”.


