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Condições árabes eram inaceitáveis, diz o regime em Damasco

Bashar al-Assad rompe com a Liga Árabe

24.01.2012 - 11:37 Por Ana Gomes Ferreira

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Walid al-Moualem disse que as condições árabes são inaceitáveis Walid al-Moualem disse que as condições árabes são inaceitáveis (Reuters)
A Síria rompeu esta terça-feira todos os seus laços com a Liga Árabe. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Walid al-Moualem, disse numa conferência de imprensa, que não aceitam mais a intervenção desta organização no país.

"Definitivamente, a solução para a Síria não é a proposta pela Liga Árabe", disse em Damasco, citado pela Reuters, o ministro Al-Moualem. Acrescentou que pouco importa que a Liga leve a sua proposta às Nações Unidas ou "à lua", que a resposta será a mesma — a rejeição. "Eles abandonaram o seu papel enquanto Liga Árabe e nós não queremos mais a solução deles para esta crise. Metade do universo está contra nós", disse o ministro.

Hoje de manhã, os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo anunciaram que retiravam os seus delegados da missão de observadores da Liga na Síria.Num comunicado conjunto, citado pela estação de televisão Al-Arabiya, Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar dizem que se retiram porque o Presidente Bashar al-Assad se recusou a cumprir a exigência da Liga de transferir o poder.

Al-Moualem disse que a Liga apresentou condições que já sabia que não seriam aceites. "Em vez de discutirem o relatório [dos observadores, entregue no final da semana passada], tomaram uma decisão política que ataca a soberania síria e já sabiam antecipadamente que não a poderiamos aceitar".

Ao exigirem o afastamento de Assad, a transferência dos seus poderes e a criação de um governo de unidade de transição, a Liga Árabe deixou claro que, para os parceiros árabes - o Irão é o seu único aliado declarado —, o Presidente sírio é um pária. Bashar al-Assad já não cumprira um acordo prévio, datado de Novembro, para pôr fim à violência contra os que diariamente se manifestam contra o seu regime totalitário, libertar os presos políticos e iniciar negociações com a oposição.

Porém, a Liga não parece ter (ou querer ter) meios para fazer cumprir as suas decisões sobre a Síria. Há visões contrárias sobre quais devem ser os próximos passos. E o comunicado das monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo recorre à ajuda internacional. Apela "aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas para adoptarem todas as medidas necessárias para implementar as decisões da Liga".

"Pedimos à comunidade internacional para cumprir com as suas responsabilidades, e entre eles incluimos os nossos irmãos dos estados islâmicos e os nossos amigos na Rússia, na China, na Europa e nos Estados Unidos", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, príncipe Saud al-Faisal, citado pela Reuters. Sublinhou que pedia que "toda a pressão possível" seja posta sobre a Síria.

Uma resolução sobre a Síria encontra-se suspensa no Conselho de Segurança devido ao anunciado veto da Rússia, podendo esse veto ser anulado se forem os países árabes, em consenso, a pedir a inetrvenção da ONU. Por isso o príncipe o príncipe falou em particular para a Rússia.

"Acredito que esta é uma nova fase da acção deles [Liga Árabe] contra a Síria e que agora vão pedir a intervenção internacional", disse Walid al-Moualem.

Porém, para que o Conselho de Segurança possa actuar, deve ser o colectivo árabe, através da Liga, a pedir a intervenção deste orgão, como lembrou o repsonsável pela diplomacia britânica, William Hague. “Espero que a Liga Árabe explique a situação às Nações Unidas e peça ao Conselho de Segurança para aprovar uma resolução apropriada que leve ao salvamento de vidas na Sìria", disse hoje em Londres.

Já da parte da tarde, os delegados da Liga Árabe no Cairo (Egipto) dedidiram que a missão deve continuar, mas apenas se a Síria concordar com a permanência dos observadores no seu territótio.

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