Secretário-geral da ONU pede encerramento de Guantánamo

11.01.2007 - 18:30 Por PUBLICO.PT, , com AFP e Reuters
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, defendeu hoje o encerramento do presídio militar de Guantánamo, em Cuba, aberto há cinco anos pelos EUA para albergar suspeitos de terrorismo.
"Como o meu antecessor [Kofi Annan], acredito que a prisão de Guantánamo deve ser encerrada", afirmou o dirigente, que na próxima semana se vai encontrar com o Presidente norte-americano, noticia a AFP.
Ban lembrou que o próprio George W. Bush já manifestou a intenção de encerrar o campo de detenção – uma afirmação proferida no último ano, mas que continua sem consequências.
Há cinco anos, os primeiros prisioneiros da "guerra contra o terrorismo" chegavam em aviões militares ao presídio de alta segurança criado na base militar que os EUA mantêm nas costas de Cuba. Datam dessa altura as poucas imagens captadas do campo, nas quais os prisioneiros surgem de uniformes laranja, vendados e agrilhoados. A Cruz Vermelha foi a única organização autorizada a visitar a unidade, mas os seus relatórios são confidenciais.
Desde então, cerca de 750 prisioneiros, oriundos de 45 países, deram entrada naquele presídio, onde ainda permanecem cerca de 400, segundo cálculos da Reuters. A maioria foi capturada no Afeganistão, durante a guerra lançada contra o regime taliban e a rede terrorista da Al-Qaeda, mas admite-se que entre os detidos se encontrem suspeitos capturados noutros países e transferidos extra-judicialmente para o campo.
Desde o início, a Administração norte-americana recusou-se a atribuir-lhes o estatuto de prisioneiros de guerra, tal como prevê a Convenção de Genebra, e das centenas de detidos menos de uma dúzia foi até agora formalmente acusada. Washington pretendia que os presos fossem julgados por comissões militares especiais, mas a iniciativa foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal e a Casa Branca acabou por ser obrigada a negociar com o Congresso novos procedimentos judiciais.
No quinto aniversário do campo, multiplicaram-se os apelos internacionais ao seu encerramento e várias organizações de defesa dos direitos humanos agendaram para hoje vigílias de protesto. A Amnistia Internacional, sediada em Londres, pediu aos principais aliados de Washington para "pressionarem activamente os EUA a encerrarem Guantánamo e a restaurarem o respeito pela lei internacional".

