O secretário-geral da ONU defendeu hoje o adiamento da segunda volta das eleições no Zimbabwe, após a desistência de Morgan Tsvangirai, uma decisão que considerou “compreensível” face ao nível de violência a que se assiste no país.
“Desaconselho fortemente as autoridades [do Zimbabwe] a realizarem a segunda volta na sexta-feira”, afirmou Ban Ki-moon, no final de uma reunião do Conselho de Segurança dedicado à situação naquele país africano.
O secretário-geral da ONU sublinha que a realização das eleições neste momento “iria apenas acentuar as divisões e conduzir a um resultado que não pode ser justo”.
O responsável disse entender as razões que levaram o líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês) a desistir da corrida: “Quero aproveitar este movimento para mostrar como estou preocupado com os acontecimentos que levaram à compreensível decisão tomada por Tsvangirai de se retirar da corrida eleitoral”.
“Há demasiada violência e intimidação” no país e uma “votação realizada nestas condições não terá qualquer legitimidade”.
Ban Ki-moon não responsabilizou directamente o Presidente Robert Mugabe, que aos 84 anos procura nestas eleições um oitavo mandato, mas denunciou uma “campanha de terror e intimidação” em curso no país.
Antecipando as críticas de Harare – que acusa o Ocidente de promover uma campanha de desestabilização no país –, o secretário-geral da ONU sustenta que “o que se passa hoje no Zimbabwe tem consequências para lá das suas fronteiras”. A crise económica e política no país, em tempos uma das nações mais prósperas do continente, “representa hoje em dia o maior desafio à estabilidade da África Austral. É a segurança política e económica da região que está em jogo”.
A posição de Tsvangirai não é, contudo, partilhada por todos os países com assento no Conselho de Segurança. Rússia, China (membros permanentes), África do Sul, Líbia, Vietname e Indonésia entendem que se trata de uma crise interna e que há melhores fóruns para a debater do que a instância máxima da ONU.
Esta posição põe em causa a aprovação de um projecto de declaração apresentado pelo Reino Unido, que condena “a campanha de violência levada a cabo pelo Governo e certos sectores das forças armadas do Zimbabwe” e defendia o reconhecimento da primeira volta das eleições “até que seja possível a realização de uma eleição livre e justa”.
Tsvangirai, que está desde ontem refugiado na embaixada holandesa em Harare, venceu o escrutínio realizado a 29 de Março mas, segundo a comissão eleitoral, não obteve o número de votos suficientes para ser declarado vencedor, o que obrigou à realização de uma segunda volta frente a Mugabe.



