O secretário de Estado do Ambiente fez hoje um “balanço positivo” da cimeira da ONU sobre o clima, salientando a importância de os “grandes jogadores do cenário climático”, como a China, terem apresentado objectivos quantificados de redução de emissões poluentes.
“O balanço é positivo porque houve alguns dos países relevantes, dos ‘grandes jogadores do cenário climático’, como a China, que trouxeram ao encontro objectivos quantificados [de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE)]. Essa foi a grande novidade”, afirmou Humberto Rosa à agência Lusa, num contacto telefónico desde Nova Iorque, onde participa na cimeira da ONU.
Na ocasião, o Presidente chinês, Hu Jintao, realçou hoje o compromisso de Pequim no combate às alterações climáticas, comprometendo-se a reduzir “significativamente” as emissões de GEE até 2020 em relação aos níveis de 2005.
Num dos discursos mais aguardados do dia, a par do de Barack Obama, o Chefe de Estado chinês assegurou que a China vai desenvolver “passos práticos e determinados” para desenvolver a energia nuclear, melhorar a eficiência energética através da aposta nas energias renováveis e reduzir “por uma margem notável” a importância do carbono no crescimento económico do país.
O secretário de Estado português destacou também o facto de o recém-eleito primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, ter reafirmado que o Japão tem objectivos de redução de emissões que “são agora comparáveis com os objectivos traçados pela UE, que são dos mais ambiciosos”.
Apesar de as preocupações com o ambiente “terem estado em todos os discursos”, Humberto Rosa considerou que as propostas apresentadas pela China e Japão são “extremamente importantes” para alcançar um sucesso em Copenhaga, onde em Dezembro a comunidade internacional tentará ‘carimbar’ um novo acordo climático pós-Quioto.
Quanto ao papel dos Estados Unidos, que estão no centro das atenções e são alvo de críticas pela lentidão do seu Congresso em agir em matéria climática, o governante português disse esperar que até Copenhaga a administração Obama “possa ter as suas decisões internas clarificadas nessa matéria”.
“Barack Obama fez um discurso muito afirmativo e vê-se claramente que a sua administração quer fazer a sua parte, que quer contribuir, ao contrário da antiga administração de Bush”, observou.
Referindo-se também à “atitude construtiva em assumir compromissos quantificados” por parte de um outro ‘gigante’, a Índia, Humberto Rosa disse: “Haverá muitas dificuldades até Copenhaga, mas a motivação é grande para resolver o problema. Na frente das posições, houve avanços significativos, tanto dos países desenvolvidos como dos naçoes em desenvolvimento”.
O secretário de Estado do Ambiente lembrou ainda que, sendo “pouco o tempo disponível até Copenhaga, é fundamental que os políticos acompanhem e impulsionem as negociações”.
Sobre o papel de Portugal, o governante lembrou que o país apresenta-se no contexto da União Europeia (UE), que decidiu reduzir em 20 por cento as emissões poluentes até 2020, salientando que Portugal, no grupo dos 27, tem das “políticas mais liderantes e avançadas em alterações climáticas e energias renováveis”.
A cimeira sobre o clima de hoje foi convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, numa tentativa de dar novo impulso político ao processo de preparação de um novo acordo global.


