O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, negou hoje que Paris esteja a preparar a venda de um reactor nuclear de última geração à Líbia, contrariando informações surgidas esta manhã na imprensa.
No mês passado, Sarkozy assinou um memorando com Trípoli com vista à venda de um reactor nuclear para uma central de dessalinação da água do mar — um projecto de longa data do Governo líbio, confrontado com a escassez de água potável.
O jornal "Le Parisien" noticia, no entanto, que o regime líbio está interessado na aquisição de um reactor EPR (Evolutionary Power Reactor) de terceira geração, o mais potente actualmente em produção.
O diário cita um responsável do Comissariado de Energia Atómica (CEA) — accionista maioritário do grupo público francês Areva —, segundo o qual o construtor "recebeu um pedido [da Líbia] para lhe apresentar um EPR".
Questionado esta manhã, um porta-voz da Areva — líder mundial do sector de energia nuclear — escusou-se a comentar as notícias, sublinhando que estão ainda em curso "discussões políticas, da responsabilidade da diplomacia". As "discussões preliminares" noticiadas pelo jornal, adiantou, "não passam de discussões informais gerais sobre a produção de energia nuclear".
Horas depois, confrontado pelos jornalistas durante o seu "jogging" matinal na estância onde se encontra a passar férias, nos EUA, Sarkozy limitou-se a responder: "É falso, é falso".
O primeiro reactor EPR — com um custo estimado em três mil milhões de euros — está a ser construído na Finlândia, mas a sua entrada em funcionamento (prevista para 2009) esta a ser posta em causa por vários atrasos relacionados com problemas no controlo de qualidade.
A Areva assinou também um acordo com a China para a construção de duas centrais.
Relações sob suspeita
As relações entre o Governo francês e a Líbia têm estado debaixo de fogo desde a visita de Nicolas Sarkozy a Trípoli, no mês passado, para a assinatura de vários acordos destinados a reforçar os laços entre os dois países. Para além do acordo de venda de tecnologia para a central de dessalinação, Paris comprometeu-se também a vender mísseis e sistemas de comunicações ao regime de Muammar Khadafi.
Os acordos — já por si polémicos — geraram maior onda de contestação por terem ocorrido semanas depois da libertação de cinco enfermeiras e um médico búlgaros, acusados pela Líbia de terem infectado propositadamente centenas de crianças.
A libertação — que ocorreu depois de Trípoli ter acedido a que os detidos cumprissem pena no país natal — foi negociado entre a fundação dirigida pelo filho de Khadafi e a União Europeia, num processo em que a presidência francesa esteve activamente envolvida.


