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Paris volta ao comando militar da Aliança Atlântica

Sarkozy justifica regresso à NATO como questão de independência

11.03.2009 - 21:48 Por Miguel Gaspar

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"A nossa aproximação à NATO consolida a independência nacional", garantiu Sarkozy aos franceses "A nossa aproximação à NATO consolida a independência nacional", garantiu Sarkozy aos franceses (Philippe Wojazer/REUTERS)
Foi o primeiro acto de um regresso anunciado. Um colóquio na Escola Militar de Paris, sob os olhares do responsável pela diplomacia da União Europeia, Javier Solana e do secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, foi o cenário escolhido pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, para oficializar que a França ia regressar ao comando militar da Aliança, que o general Charles de Gaulle decidiu abandonar há 43 anos.

Sarkozy colocou ontem ponto final numa aproximação à NATO que se desenhava desde o final da guerra fria, mas nunca plenamente assumida. E que permanece polémica, pois a ruptura gaulista de 1966 é vista como a pedra de toque que definiu a França como potência independente e autónoma.

A independência foi portanto a pedra de toque do discurso de Sarkozy, eleito Presidente em nome da direita gaulista, que ontem foi acusado de renegar. “A nossa aproximação à NATO consolida a independência nacional, mas o nosso distanciamento, proclamado mas não realizado com a NATO, limita a nossa independência nacional”, disse o Presidente francês.

A França nunca saiu da Aliança Atlântica — de que é fundadora — e está plenamente envolvida na organização, fornecendo sete por cento dos efectivos e 12 por cento do orçamento. Representada em 36 dos 38 comandos da aliança — regressa agora ao topo do comando militar — tem apenas um por cento dos lugares de comando, refere a AFP. “Não temos nenhum posto militar de responsabilidade, formidável!”, ironizou Sarkozy. “Arriscamos a vida dos nossos soldados e não participamos na estratégia”, acrescentou. Para o inquilino do Eliseu, a França deve passar a “co-dirigir” em vez de se “submeter”.

Com o regresso ao comando integrado da NATO, Paris deverá assumir o controlo do Allied Command Transformation, em Norfolk, que tem a responsabilidade pela definição das doutrinas futuras da Aliança e do comando regional de Lisboa.

Nuclear autónomo

Em 1966, Charles de Gaulle justificou a ruptura com a NATO em nome da autonomia francesa em relação a Washington e da manutenção do controlo sobre a força nuclear francesa, a Force de Frappe, inteiramente concebida por engenheiros nacionais.

“A nossa dissuasão nuclear permanecerá independente. A decisão nuclear não é partilhável”, sublinhou. Sobre a independência em relação a Washington, lembrou o exemplo da Alemanha que, sendo um membro da NATO, recusou-se a participar na guerra do Iraque, à qual a França também se opunha. Mas os analistas vêem a decisão de Sarkozy sobretudo como uma mudança histórica na relação com os EUA. Esta decisão poderá ainda representar um reforço das empresas europeias nas negociações de armamento, recordava a Reuters.

Nicolas Sarkozy podia ter decidido sozinho o regresso à NATO, mas face à contestação política interna, decidiu fazê-la aprovar pelo Parlamento. A votação terá lugar no dia 17 e conta com a oposição dos socialistas e do MoDem, de François Bayrou. À direita, o antigo primeiro-ministro e rival de Sarkozy na União para um Movimento Popular já anunciou a sua oposição à decisão do Presidente. E o presidente da câmara de Bordéus e outro histórico do gaulismo, Alain Juppé, seguiu pelo mesmo caminho.

Os eleitores estão do lado do Presidente. Duas sondagens davam ontem 58 e 52 por cento de apoio ao regresso à NATO. Um apoio particularmente forte entre os mais jovens (70 por cento entre os 18 e os 24 anos) e entre os eleitores de direita (76 por cento), tornando mais difícil aos adversários internos de Sarkozy invocar a herança do general De Gaulle.

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Hipocrisia

“A nossa dissuasão nuclear permanecerá independente. A decisão nuclear não é ...

pedro

12.03.2009 00:19