Sarkozy admite boicote à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos 
25.03.2008 - 16:59 Por PÚBLICO, Agências
O Presidente francês subiu hoje o tom das críticas à forma como a China tem reprimido os manifestantes tibetanos e não excluiu a possibilidade de boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, contrariando posições já assumidas por outros dirigentes europeus.
“Todas as opções estão em aberto, mas eu apelo ao sentido de responsabilidade das autoridades chinesas”, afirmou Sarkozy quando questionado sobre um possível boicote francês às olimpíadas. Pouco depois os seus colaboradores vieram a público sublinhar que o Presidente se referia apenas à sua participação nas cerimónias de abertura dos Jogos e não a um boicote dos atletas franceses à competição.
Sarkozy, criticado pelas organizações de defesa dos direitos humanos pelo silêncio que manteve ao longo de duas semanas, condiciona a decisão final “aos desenvolvimentos da situação no terreno”.
Um dia depois de ter escrito uma carta ao seu homólogo chinês pedindo “contenção” na resposta militar aos protestos, o chefe de Estado francês explicou que cabe aos dirigentes chineses responder às preocupações da comunidade internacional e assim garantir a presença de todos nos Jogos Olímpicos. “Esta estratégia é firme na defesa dos direitos humanos e poderá dar origem a resultados”.
Mais explícito, o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, disse que o combate chinês aos protestos dos activistas tibetanos “não é bom” pois o Dalai Lama, ao contrário do que Pequim afirma, “não ameaça a integridade territorial” chinesa.
Maioria dos dirigentes confirma presença
Apesar dos protestos internacionais à forma como Pequim reagiu às manifestações no Tibete e nas províncias vizinhas, foram poucos até agora os dirigentes que anunciaram que não aceitarão o convite para os Jogos Olímpicos. Mesmo o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, um dos mais críticos da actuação chinesa, já fez saber que vai comparecer na cerimónia de abertura. Também o Presidente norte-americano, George W. Bush, garante que vai deslocar-se a Pequim, o mesmo sucedendo com a maioria dos dirigentes europeus.
Entre as ausências confirmadas está a do príncipe Carlos, um conhecido apoiante da causa tibetana, enquanto o presidente do Parlamento Europeu, o conservador alemão Hans Gert Pöttering, considerou “justificadas” eventuais “medidas de boicote”.
Durão Barroso contra boicote
Em sentido contrário, o presidente da Comissão Europeia disse discordar de eventuais boicotes aos Jogos Olímpicos e apelou aos Estados-membros da UE para adoptarem uma “posição comum” sobre a situação no Tibete.
“Não estamos de forma alguma seguros que qualquer eventual boicote levasse a um maior respeito pela lei da China ou no Tibete”, explicou Durão Barroso, esta manhã, em Lisboa. Para o líder europeu "os Jogos Olímpicos não são um acontecimento político, mas sim um grande evento desportivo e humano" em relação ao qual "não se podem defraudar as hipóteses dos jovens atletas".
Garantindo que a UE está “muito preocupada” com as denúncias de violência, o líder europeu apelou às duas partes para darem mostras de contenção e defendeu que a UE deve dar mostras de unidade nesta questão. "É importante que a Europa tenha uma posição conjunta, fazendo ver as nossas preocupações e a necessidade de serem respeitados os direitos humanos na China e no Tibete", acrescentou.
Até ao momento, nenhuma delegação nacional anunciou um boicote dos seus atletas às competições desportivas.

