Sarkozy à frente, Ségolène a 5,5 pontos e derrota de Le Pen

23.04.2007 - 09:04 Por Ana Dias Cordeiro, em Paris, PÚBLICO
Desta vez as sondagens não falharam e a taxa de participação foi histórica: com 85 por cento de afluência, as presidenciais de ontem foram as mais participadas desde 1965 em França.
Centenas de simpatizantes dos dois candidatos favoritos reuniram-se junto às sedes de candidatura em Paris e saudaram a vitória de Nicolas Sarkozy e a passagem à segunda volta de Ségolène Royal.
Quem vencer a 6 de Maio está quase certo de ganhar as legislativas de 10 e 17 de Junho e governar - os franceses guardam más recordações das experiências de coabitação.
Com mais de 30 por cento dos votos, Sarkozy excedeu as expectativas e posicionou-se muito acima dos 19,9 por cento de Jacques Chirac na primeira volta de 2002. O candidato da União para um Movimento Popular (UMP) mostrou ter ganho a sua aposta de recuperar os eleitores do RPR (que precedeu a UMP), que nos últimos anos tinham passado para a Frente Nacional. E conseguiu um resultado histórico com a maior mobilização em torno de um candidato de direita desde Georges Pompidou em 1969.
No campo de Sarkozy, muitos foram os que se congratularam pela passagem da socialista à segunda volta: em nome de um "verdadeiro debate de ideias" nas duas semanas de campanha que seguem. Mas sobretudo porque uma disputa com Ségolène se apresenta mais fácil do que com o centrista François Bayrou.
Frente a centenas de simpatizantes, num discurso emocional, Sarkozy evocou o seu desejo de "reunir o povo em volta de um novo sonho francês", prometeu unir "todos os franceses" e devolver a "esperança" ao país.
Mais sóbria, menos solta, e sobretudo centrada nas ideias do seu programa, Ségolène falou frente a uma multidão maioritariamente feminina. E apelou a uma mobilização em torno do seu projecto presidencial, pelo fim da exclusão e de uma França "dominada pela lei do mais forte".
Ségolène passou a barreira simbólica dos 25 por cento, necessária para dar fôlego ao seu partido e tornar possível uma vitória. Ultrapassou o melhor score de Lionel Jospin, 23 por cento na primeira volta de 1995, e afastou o "fantasma" da eliminação do candidato da segunda volta que traumatizou o Partido Socialista.
Para a segunda volta, não é favorita - uma sondagem conduzida ontem à boca das urnas dava Sarkozy vencedor com 54 por cento.
Mas muito dependerá da escolha que fizer o eleitorado de Bayrou, que triplicou o resultado de 2002 e ficou muito acima dos nove por cento do eleitorado da União para a Democracia Francesa. Congratulou-se "por a França ter enfim um centro forte"e declarou que "a política francesa nunca mais será a mesma".
A derrota dos extremos
Estas eleições marcaram a queda, depois de uma ascensão nos últimos 20 anos, da extrema-direita de Jean-Marie Le Pen. E acentuaram a perda de influência dos comunistas e da extrema-esquerda.
Com apenas dois por cento, a comunista Marie-George Buffet denunciou os apelos ao "voto útil" de Ségolène, mas pediu aos eleitores comunistas para votarem na socialista. O mesmo fez a candidata dos Verdes, Dominique Voynet, e a trotskista da Luta Operária, Arlette Laguiller, que desceu aos 1,5 por cento nas suas sextas presidenciais. O também trotskista Olivier Besancenot, da Liga Comunista Revolucionária, apelou a um "combate contra a direita".
Le Pen desceu abaixo dos resultados de 1988, quando obtivera 14 por cento. Visivelmente agastado, frente às câmaras, apelou a uma forte mobilização dos eleitores da Frente Nacional nas legislativas de Junho, para repor no partido os votos "roubados" por Sarkozy.

