Chefes de Estado europeus reunidos em Helsínquia para discutir a Europa

Sampaio: ratificação da Constituição Europeia deve continuar mesmo com "não" francês

23.04.2005 - 14:05 Por Lusa, PUBLICO.PT

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Sampaio, que presidiu a um painel sobre a política de vizinhança da UE, defende a importância de os europeus fazerem do alargamento um sucesso Sampaio, que presidiu a um painel sobre a política de vizinhança da UE, defende a importância de os europeus fazerem do alargamento um sucesso (Seppo Sirkka/EPA)
O Presidente da República, Jorge Sampaio, defende que o processo de ratificação da Constituição Europeia "deve continuar" em todos os Estados membros da União Europeia, mesmo que a França rejeite o tratado no referendo de 29 de Maio, como apontam as últimas sondagens.

"Sou daqueles que pensam que, seja qual for o resultado [do referendo em França], devemos continuar o processo de ratificação e depois ver o que vamos fazer", argumentou o chefe de Estado, que falava em conferência de imprensa, no final de um encontro informal de alguns Presidentes europeus em Helsínquia dedicado à discussão da Europa.

Jorge Sampaio defende que não deve ser interrompido "nenhum processo em nenhum país por causa de um resultado", sugerindo aos líderes europeus que "não pensem no 'não'". "Se continuarmos a pensar no 'não' estamos a contribuir para uma vitória do 'não'", elaborou o Presidente da República.

Ladeado pelos seus homólogos da Finlândia, Tarja Halonen, Letónia, Vaira Vike Freberga, e Áustria, Heinz Fischer, Jorge Sampaio disse ainda esperar que "haja acordo" em Portugal em torno da Constituição nacional para viabilizar o referendo sobre o tratado europeu, com uma pergunta que seja aceite pelo Tribunal Constitucional. "Se os rumores públicos estiverem correctos, podemos ter um referendo coincidente com as eleições locais", referiu, acrescentando esperar que os portugueses sufraguem a Constituição Europeia com "um resultado positivo".

A perspectiva de um "não" dos franceses à Constituição europeia no referendo de 29 de Maio foi, de resto, um tema abordado por todos os chefes de Estado no final do seu encontro informal de dois dias.

Defensora do "sim", a Presidente finlandesa, Tarja Halonen, chegou mesmo a afirmar: "A Constituição pode não ser perfeita, mas é o nosso filho".

Por sua vez, Vaira Vike Freberga, que se desloca à França na próxima semana, foi também peremptória na mensagem: "O futuro da União está nas mãos deles [franceses]". A chefe de Estado da Letónia advertiu mesmo que a rejeição da Constituição pelos franceses teria, entre outras, "implicações imediatas para a moeda única", já que "os mercados estão a ficar nervosos".

No final da reunião, os chefes de Estado falaram ainda sobre o modelo social europeu e sobre a necessidade de o "adaptar e reformar, sem comprometer o seu valor essencial" ou do multilateralismo, como afirmou Jorge Sampaio.

O Presidente da República português, que presidiu a um painel sobre a política de vizinhança da União Europeia, defendeu a importância de os europeus "fazerem do alargamento um sucesso" e prepararem-se para as negociações de adesão com a Turquia.

A Presidente letã insistiu, por seu turno, na necessidade de "reduzir o fosso entre novos e mais antigos Estados membros" caracterizando a União Europeia como "um casamento".

Os presidentes partiram depois para um almoço, a convite da chefe de Estado anfitriã, onde serão abordados o processo de Helsínquia e a globalização.

Esta cimeira informal na capital finlandesa dá continuidade a uma análoga realizada em Outubro de 2003, em Arraiolos, por iniciativa de Jorge Sampaio.

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Digo eu

Os políticos parecem distanciar-se cegamente dos eleitores. É bem mais importante perceber que ...

Anónimo

23.04.2005 17:04

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