O líder radical xiita, Moqtada al-Sadr, rejeitou hoje o ultimato do primeiro-ministro iraquiano para que os seus homens entreguem as armas, propondo em alternativa negociações para pôr fim aos combates em Bassorá, a principal cidade do Sul do país.
O jovem clérigo, que controla uma milícia com cerca de 60 mil homens, exige ainda que o Nuri al-Maliki abandone Bassorá, onde se encontra desde ontem para acompanhar a operação desencadeada pelo Exército para expulsar da cidade o Exército de Mahdi, a milícia leal ao radical xiita.
Um porta-voz de Sadr, que raramente é visto em público, explicou que o movimento espera que, em sua substituição, o primeiro-ministro “envie uma delegação parlamentar para resolver a crise” em Bassorá.
Os combates das últimas 24 horas entre a milícia e os soldados iraquianos, que contarão com o apoio aéreo norte-americano, provocaram baixas de parte a parte, mas é difícil estabelecer um balanço. O Ministério da Saúde confirma que 20 pessoas morreram e 200 ficaram feridas nos combates, mas fontes no local falam em pelo menos 40 mortos.
Os confrontos estenderam-se, ainda que em menor dimensão, a outras cidades do Sul do país e a Sadr City, um subúrbio pobre xiita de Bagdad onde o líder radical goza de grande popularidade. Só aqui, pelo menos 20 pessoas foram mortas nas trocas de tiros entre milícia e forças de segurança, enquanto mais de uma centena de feridos deram entrada nos hospitais locais.
Esta manhã, Maliki deu um prazo de 72 horas para que o Exército de Mahdi deponha as armas. Os que se renderem “deverão comprometer-se por escrito a não voltarem a empunhar armas”, anunciou o primeiro-ministro, acrescentando que quem não o fizer será alvo de “grandes castigos”.
Moqtada al-Sadr acusa o Governo de favorecer as Brigadas de Badr, a milícia dependente do maior partido xiita iraquiano, na tentativa de controlo da província de Bassorá, onde está concentrada a maior parte das reservas petrolíferas do Iraque e a única com acesso a um porto de águas profundas para o escoamento da produção. Desde Dezembro, altura em que as tropas britânicas saíram da cidade, as duas milícias têm-se envolvido em sucessivas escaramuças pelo controlo de pontos-chave da região.
Na segunda-feira, o dirigente ameaçou lançar uma campanha de protestos nacionais se o seu movimento continuasse a ser perseguido pelas autoridades e os seus milicianos fizeram respeitar a ordem de greve nos bairros que controlam. Em resposta, o Governo decretou o recolher obrigatório em Bassorá e, às primeiras horas de ontem, lançou uma grande operação contra Bassorá, cujo desfecho permanece incerto.




