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Fim da greve de fome

Saddam Hussein: "Prefiro que me fuzilem a que me enforquem"

27.07.2006 - 10:24

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Ex-Presidente do Iraque voltou a tribunal, "contra vontade", ao fim de três dias hospitalizado e a ser alimentado por um tubo Ex-Presidente do Iraque voltou a tribunal, "contra vontade", ao fim de três dias hospitalizado e a ser alimentado por um tubo (Jamal Nasralah/AP)
Visivelmente magro, mas nem por isso menos efusivo, o ditador do Iraque deposto durante a invasão anglo-americana de 2003 regressou ontem a tribunal depois de uma greve de fome encetada há mais de duas semanas. Ao juiz presidente do julgamento disse: "Aconselho-o como iraquiano que, caso me seja pronunciada a pena de morte, tenha em conta que Saddam [Hussein] é um militar e que, por isso, a execução deve ser feita por um pelotão e não na forca como um qualquer criminoso."

Saddam responde pela acusação de crimes contra a humanidade, a par de outros sete co-arguidos, pela morte de 148 muçulmanos xiitas, homens e rapazes, da aldeia de Dujail, executados por alegadamente o terem tentado assassinar em 1982.

O ex-Presidente da República, 69 anos, nomeou-se a si próprio chefe das forças militares iraquianas, não tendo jamais treinado ou servido como militar antes de tomar o poder. A sentença neste processo deverá ser pronunciada em meados de Agosto, estando já agendado para o dia 21 o início de um outro julgamento: neste caso respondendo a acusações de genocídio pela morte de uns estimados 100 mil curdos nos finais da década de 1980 durante a campanha de Anfal.

Qualquer eventual debilidade provocada pelos 16 dias de greve de fome que manteve, antes de ter sido hospitalizado no domingo passado e alimentado através de um tubo introduzido no nariz até ao estômago, não diminuiu o tom de desafio de Saddam: "Mesmo que não coma durante dez meses, continuo com todo o meu poder e saúde. Pensavam que não seria capaz de falar ao fim de 20 dias?"

Fonte do tribunal citada pela Reuters, mas não identificada, dava conta de que o antigo líder teria ontem terminado a greve de fome: "Saddam comeu carne e arroz e pão e bebeu uma cola que trouxera do hospital."

"À força"

O tirano deposto protestou também, de forma enfurecida, por ter sido levado contra a sua vontade - "à força", acusou - até ao julgamento. "Escrevi-lhe uma petição clarificando que não quero vir a tribunal", disse o réu ao juiz Raouf Abdel Rahman. No início do mês passado, Saddam escrevera ao tribunal afirmando que entraria em greve de fome como forma de protesto contra a "ilegalidade dos procedimentos" e contra a "falta de segurança" dos seus advogados - três dos membros da sua equipa de defesa foram assassinados desde o início do julgamento em Outubro de 2005, o mais recente dos quais, Khamis al-Obeidi, morto a tiro em Junho passado.

Toda a equipa de defesa de Saddam faltou à sessão, mantendo o boicote iniciado a 10 de Julho, em protesto contra aquilo que os advogados consideram ser uma intransigência do tribunal em aceitar que as alegações finais da defesa não sejam interrompidas nem cerceadas por um limite de tempo.

Soldados dos EUA capturaram ontem cinco presumíveis membros de um alegado esquadrão da morte, a sul de Bagdad, numa altura em que os militares norte-americanos se preparam para reforçar fileiras, de modo a travar uma onde de assassínios sectários. As detenções ocorreram quando elementos da 101ª Divisão Aerotransportada efectuaram uma rusga a um bairro de Mahmoudiya, a 30 quilómetros da capital iraquiana, indicou um comunicado oficial de Washington. Entre os presos está o chefe do esquadrão.

Em Londres, um grupo de famílias de soldados do Reino Unido mortos no Iraque obteve ontem uma vitória jurídica com a decisão de um tribunal britânico acedendo a que contestem juridicamente a recusa do Governo de Tony Blair em fazer um inquérito público sobre a legalidade da invasão de 2003 e consequente guerra em que já morreram mais de 100 militares britânicos.

O tribunal de apelo rejeitou a decisão de uma primeira instância, considerando que "vale a pena investigar se é discutível que a invasão tenha sido legal à luz da lei internacional". Para o advogado das famílias, Phil Shiner, esta "vitória retumbante" obriga o Governo britânico a "apresentar provas em tribunal" que "estabeleçam em definitivo se a decisão de invadir [o Iraque] foi legal".

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