A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) disse hoje não reconhecer o novo Presidente da República de Madagáscar, Andry Rajoelina, o mais novo da África, com apenas 34 anos.
O órgão de segurança daquela organização regional, reunido na Suazilândia, fez esta declaração horas depois de Rajoelina ter suspenso as actividades da Assembleia Nacional e do Senado, e dois dias após o seu antecessor, Marc Ravalomanana, haver renunciado ao cargo.
Os poderes legislativos vão agora ser exercidos, durante um período de aproximadamente dois anos, por uma Alta Autoridade para a Transição e por um Conselho para o Reajustamento Económico e Social, bem como pelo próprio Governo escolhido por Rajoelina, que está a fazer juz ao seu epíteto de TGV, tal a velocidade com que actua.
Em menos de uma semana, ele conseguiu que o Presidente entregasse o poder às Forças Armadas, que estas o passassem a ele e que o Tribunal Constitucional dissesse que estava tudo bem assim, apesar de a Constituição dizer que ninguém com menos de 40 anos se pode candidatar à suprema magistratura.
O novo embaixador da França em Antananarivo, Jean-Marc Châtaigner, já efectuou uma “visita de cortesia” ao Presidente interino que conquistou o poder à revelia de todas as regras normalmente aceites; e o Quai d’Orsay, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, limitou-se a observar que “o período anunciado de 24 meses para a organização de novas eleições é demasiado longo”. Perante isto, alguns analistas citados pela Reuters afirmaram que a antiga potência colonial está a dar um apoio tácito ao antigo organizador de eventos repentinamente alçado a chefe de Estado.
Quanto às Nações Unidas, apenas afirmaram que “a legalidade da situação em Madagáscar não é algo que nós possamos determinar”, enquanto a União Africana (UA) adiou para amanhã uma prevista reunião sobre o que se está a passar em Antananarivo.
A Noruega congelou o seu auxílio anual de 90 milhões de coroas (10,3 milhões de euros), por não concordar com a forma inconstitucional como as coisas se têm estado a passar na grande ilha produtora de baunilha; mas não há por enquanto conhecimento de muitos países que tenham fosse suspenso tanto da UA como da SADC.



