Rússia: Serviços secretos detêm suspeitos pelo homicídio de advogado e jornalista

05.11.2009 - 15:49 Por Dulce Furtado, com agências
Os serviços secretos russos (FSB, agência sucessora do KGB para a espionagem interna) revelaram hoje ter detido dois suspeitos – um homem e uma mulher – pelo homicídio de um advogado dos direitos humanos e uma jornalista em Janeiro passado em pleno dia no centro de Moscovo, sustentando tratarem-se de “ultranacionalistas muito bem armados”.
A detenção foi confirmada por um tribunal moscovita, considerando haver provas suficientes para levar a julgamento Nikita Tikhonov e Ievgenia Khasis, sob a acusação de homicídio do advogado e activista Stanislav Markelov e da jornalista de origem tchetchena Anastasia Baburova, do "Novaia Gazeta", o mesmo diário em que trabalhava Anna Politkovskaia, também esta assassinada a tiro em Moscovo e cujos autores do crime permanecem a monte.
Ambos se apresentaram em tribunal encapuzados e fortemente algemados – tendo a agência noticiosa russa Interfax avançado que os dois são antigos membros do grupo ultranacionalista Unidade Nacional.
Segundo a polícia, Tikhonov confessou o crime de Janeiro passado, que relançou o debate sobre a insegurança dos activistas e jornalistas anti-Kremlin na Rússia. O Presidente russo, Dmitri Medvedev, que repetidamente tem prometido maior abertura e segurança à oposição, reagiu prontamente, sublinhando perante o chefe dos FSB, Alexander Bortnikov, que a morte de Markelov e Baburov “foi um crime que ressoou alto por toda a sociedade”.
A polícia russa acredita que o alvo principal do ataque foi Markelov, o qual batalhava nos tribunais a libertação antecipada de um coronel russo que cumprira prisão pelo homicídio de uma jovem na Tchetchénia. O advogado tinha também uma actividade intensa na defesa de vítimas de crimes cometidos por ultranacionalistas e neonazis na Rússia – um fenómeno em crescendo no país. A jornalista do "Novaia Gazeta" foi alvejada ao tentar defendê-lo quando os atiradores o atacaram numa rua não muito longe do Kremlin.
O director adjunto do "Novaia Gazeta", Serguei Sokolov, acolheu positivamente a notícia da detenção dos dois suspeitos, mas frisou não poder dar qualquer indicação se os FSB prenderam as pessoas que realmente cometeram o duplo homicídio. “Tão pouco ficámos a saber se são suspeitos da autoria do crime ou de terem dado a ordem”, afirmou, relembrando a mesma atribulação judicial que rodeou o julgamento dos suspeitos da morte de Politkovskaia – cujo suspeito atirador isolado e mandante permanecem por capturar e identificar, respectivamente.
Apenas cúmplices na morte desta veterana jornalista foram julgados e sentenciados num julgamento, de resto, posteriormente contestado em instâncias superiores.


