Rússia ordena encerramento das delegações do British Council no país

12.12.2007 - 17:22 Por AFP, PUBLICO.PT
O Governo russo anunciou hoje que vai encerrar as delegações regionais do British Council, instituto de promoção da língua e cultura inglesa, num gesto que intensifica a tensão diplomática entre Londres e Moscovo.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo alega “a ausência de base legal que regulamente as actividades do British Council na Rússia” para justificar o encerramento, a partir de 1 de Janeiro de 2008, dos dois centros regionais do instituto.
A única excepção será a sede do centro, em Moscovo, que permanecerá em funcionamento até que a questão do estatuto legal do British Council seja resolvida, adianta o comunicado.
O centro cultural já contestou a decisão e promete manter abertas as portas das delegações regionais. “Não temos intenção de encerrar nem em Ekaterinburgo (nos Urais) nem em São Petersburgo (Oeste), já que todas as nossas actividades respeitam os acordos bilaterais e a legislação russa”, afirmou Natalia Mintchenko, porta-voz do British Council em Moscovo.
O primeiro-ministro britânico também já reagiu ao anúncio, garantindo que o British Council está “plenamente habilitado” a funcionar na Rússia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, que tutela o instituto, lamentou a decisão de Moscovo, lembrando que está em causa “uma instituição cultural e não política”.
Há vários anos que o British Council mantém um conflito com as autoridades russas, que alegam irregularidades no estatuto que enquadra as actividades do instituto. As más relações com o Kremlin levaram o instituto a reduzir de 15 para apenas três o número de centros ainda em funcionamento no país.
No entanto, a questão ganhou novos contornos com a guerra diplomática aberta entre Moscovo e Londres, depois de as autoridades russas se terem recusado a extraditar o suspeito da morte de Alexandre Litvinenko, um ex-agente do KGB, exilado em Londres e conhecido pela sua oposição ao Presidente russo, Vladimir Putin. Face a esta recusa, Londres expulsou vários diplomatas russos e Moscovo adoptou medidas idênticas.


