Rússia não gostou das críticas de Joe Biden e exige definição da política externa dos EUA

25.07.2009 - 15:22 Por Dulce Furtado
O Kremlin reagiu hoje de forma extremamente agastada às críticas feitas à Rússia pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, numa entrevista publicada na véspera no “Wall Street Journal”, e que já tinham sido lançadas durante a visita por este feita esta semana às duas repúblicas ex-soviéticas da Ucrânia e Geórgia – ambas com ambições de adesão à NATO – numa altura em que a nova Administração norte-americana procura relançar as relações com a Rússia.
“A questão que se impõe é saber quem define a política externa dos Estados Unidos. É o Presidente [Barack Obama] ou os respeitáveis membros da sua equipa?”, questionou o conselheiro do chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev, em declarações à agência noticiosa Interfax, reagindo à entrevista de Biden. Nela, o número dois da Casa Branca dizia não acreditar que Moscovo esteja disposta a fazer compromissos com o Ocidente numa série de temas – à cabeça, o da defesa anti-nuclear.
Serguei Prikhodko desafiou mesmo “aqueles que não estão de acordo com as linhas definidas pelo seu próprio Presidente a dizê-lo com clareza”, numa alusão directa não apenas ao expresso apoio dado por Biden às ambições ucranianas de integração euro-atlântica, mas também às críticas que fez a Moscovo pela guerra travada em Agosto passado na Geórgia, na sequência da tentativa de Tbilissi de recuperar o controlo das suas regiões separatistas e pró-russas da Abkházia e Ossétia do Sul.
Obama deu no início deste mês um sinal claro de que Washington pretende melhorar as relações com a Rússia, expressando-se determinado a fazer um reset (relançar) dos contactos com Moscovo em matérias difíceis e complexas de segurança mundial em que os dois países muito raramente encontram um ponto de consenso. Alguns avanços foram obtidos, naquela visita de Obama à Rússia, nomeadamente na definição do enquadramento de um novo pacto bilateral em matéria de redução de armamento nuclear, para substituir o histórico acordo START-1 que expira no final deste ano.
As rondas de negociações para este efeito ficaram, de resto, já com novo agendamento marcado, para o final de Agosto ou início de Setembro em Genebra, anunciou esta manhã o Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros. Os Presidentes dos dois países sinalizaram concordância dos números para os quais reduzirem o seu arsenal nuclear, mas as conversações prevêem-se de avanço difícil dada a insistência de Moscovo em fazer depender a assinatura do novo pacto de um recuo de Washington nos planos de expandir para a Europa Central (Polónia e República Checa) partes do seu sistema de defesa antimíssil.


