Os primeiros-ministros da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Iulia Timochenko, respectivamente, chegaram esta madrugada a um acordo sobre o gás, após uma reunião, em Moscovo, que se arrastou durante dez horas. A Rússia voltará assim a reabastecer a Europa com gás, através da Ucrânia, nas próximas horas.
Vladimir Putin e Iulia Timochenko deram uma conferência de imprensa conjunta, logo após o acordo, pondo fim à delicada crise do gás.
O acordo estipula um desconto de 20 por cento na compra do gás natural russo se se mantiver a tarifa preferencial de trânsito pela Ucrânia de 2008.
"Também concordámos que a partir de 1 de Janeiro de 2010, os nossos preços do gás e das tarifas de trânsito serão praticados ao mesmo nível da Europa, sem reduções nem descontos", disse Putin.
A disputa entre Moscovo e Kiev estava a afectar a distribuição de gás à Europa há já duas semanas.
“Muito em breve, o reabastecimento – e o lado ucraniano assegurou-nos isso – vai voltar”, disse Putin, ao lado da sua homóloga ucraniana, perante as televisões russas.
Tymoshenko disse, por seu lado, que as companhias energéticas de ambos os países, a russa Gazprom e a ucraniana Naftohaz, têm instruções para acertarem os detalhes de fornecimento estipulados no acordo, a partir de amanhã.
“Imediatamente depois de todos os documentos de fornecimento e compra de gás estarem assinados, todas as condutas de abastecimento à Europa serão restabelecidas”, afirmou Tymoshenko.
“O dia de hoje foi proveitoso... Chegámos a um acordo”, concluiu.
Russos e ucranianos mantinham até hoje um braço de ferro acerca dos preços do gás e sobre as condições técnicas de funcionamento dos gasodutos, sobretudo em torno da questão de saber a quem cabe pagar o "gás técnico" para manter a pressão necessária para assegurar as exportações para a Europa.
“Esperar para ver”, diz presidência checa da UE
A presidência da União Europeia já saudou o acordo, mas declarou a sua prudência e as suas reservas. “Saudamos o anúncio da existência de um acordo político, mas também somos prudentes, porque já houve muitos acordos falhados e promessas não cumpridas”, disse à AFP o porta-voz da presidência checa da UE.
“O contrato (entre a Rússia e a Ucrânia) ainda não foi assinado e o abastecimento ainda não foi retomado”, acrescentou. “Vamos esperar para ver”.
A Comissão Europeia também já saudou o acordo “em particular o anúncio que o reabastecimento de gás poderá ser retomado já amanhã”.


