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Observadores estrangeiros lançam dúvidas sobre transparência das presidenciais

Rusga policial ao escritório do candidato da oposição adensa tensão no Sri Lanka

29.01.2010 - 13:23 Por Francisca Gorjão Henriques

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O rescaldo das eleições no Sri Lanka não está a ser pacífico. Dois dias depois de Mahinda Rajapaksa ter sido declarado vencedor, o escritório do principal rival, o general Sarath Fonseka, foi alvo de raides policiais, denunciou um dos seus assessores.

Já na quarta-feira, militares cercaram o hotel onde se encontrava o ex-chefe das Forças Armadas, acusando-o de estar a planear um golpe de Estado.

A campanha para as eleições de dia 26 foi marcada por ataques pessoais de um e outro lado. E os ataques não terminaram com as presidenciais, que deram a Rajapaksa um segundo mandato, com uma vantagem de 1,8 milhões de votos sobre Fonseka, nas primeiras eleições depois de ganha a guerra contra os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE).

Fonseka, um dos principais arquitectos da vitória, contribuiu para a derrota dos rebeldes, ao fim de 25 anos de combates, em Maio do ano passado. Mas logo a seguir, o Presidente começou a levantar suspeitas de que o herói de guerra estaria a tentar orquestrar um golpe contra si. Rajapaksa decidiu então promover Fonseka a chefe do então criado departamento do Pessoal da Defesa, que na prática retiraria ao general o controlo directo sobre as tropas, recorda a Reuters.

E quando Rajapaksa decidiu antecipar em dois anos as presidenciais, para aproveitar a popularidade da vitória, Fonseka tornou-se de imediato um rival à corrida. De colaboradores, os dois aliados passaram a concorrentes. E Rajapaksa insiste que o general continua a pretender afastá-lo com a ajuda dos militares.

“O esquadrão especial da polícia arrombou o escritório de Sarath Fonseka”, disse à Reuters Asanka Magedara, um assessor do candidato derrotado. Um jornalista da agência confirmou ter visto comandos da polícia nas imediações do edifício. Já na quarta-feira, militares tinham cercado o hotel de luxo onde Fonseka e outros políticos da oposição tinham ido assistir à contagem dos boletins. A justificação dada pelo Exército era de que havia centenas de desertores junto de Fonseka, que estaria a preparar um golpe.

O general desmentiu as acusações e afirmou então que iria pedir abrigo a um país vizinho, mas acabou por sair livremente e ir para casa.

O candidato contestou junto da Comissão Eleitoral os 57,9 por cento de Rajapaksa, contra os seus 40,1, que pouparam o Presidente de uma segunda volta. Hoje, observadores eleitorais e uma associação de defesa dos direitos humanos lançaram também dúvidas sobre o desenrolar do escrutínio, refere a AFP.

A Asia Human Rights Commission, com sede em Hong Kong, não só questiona a utilização abusiva dos recursos estatais durante a campanha de Rajapaksa, como tem dúvidas de que a contagem tenha decorrido sem irregularidades. “Muito claramente, a questão de saber se o Sri Lanka era capaz de realizar eleições livres e justas colocou-se neste escrutínio”, escreve num comunicado. “Não foi apenas o processo eleitoral que teve problemas. É também a questão da recepção, conservação e contagem dos boletins no escritório do comissário [eleitoral] que é preciso levantar”.

Para além disso, um grupo de especialistas do Secretariado da Commonwealth, convidado a observar as eleições, afirmou haver um ambiente “alterado” durante a campanha, apesar de o dia das eleições ter decorrido normalmente.

Terá sido por levantar questões como estas durante uma conferência de imprensa em Colombo que o jornalista suíço Karin Wenger recebeu ordem de expulsão do país nas próximas 24 horas.


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