Três meses depois de ter sofrido a sua maior derrota eleitoral, o Partido Socialista Espanhol (PSOE) optou pela via da experiência, entregando a liderança ao veterano Alfredo Pérez Rubalcaba, em detrimento da mais jovem e enérgica Carme Chacón.
Foi, ainda assim, um partido divido o que saiu de Sevilha, cidade anfitriã de um congresso em que os socialistas esperavam começar as sarar as feridas abertas pelo fim do ciclo de poder.
Os 956 delegados dividiram-se ao meio na hora da votação e foram precisas quase duas horas de um minucioso escrutínio para que Rubalcaba, de 60 anos, fosse declarado vencedor, por apenas mais 22 votos do que a ex-ministra da Defesa.
O jornal "El Mundo" recordou que José Luis Zapatero foi eleito, em 2000, com uma diferença de apenas nove votos, mas na corrida estavam então quatro candidatos.
A imprensa espanhola destacava ontem a coroação tardia do eterno “número dois” dos socialistas – Rubalcaba foi ministro em todos os governos do PSOE –, uma promoção que chega mesmo depois de ter sido ele, e não o ex-primeiro-ministro José Luis Zapatero, a encabeçar a campanha às legislativas.
Na decisão final dos delegados, escreveu o "El País", pesou sobretudo a experiência de Rubalcaba e a convicção de que “a saída para a crise do PSOE não está em refundações nem em autocríticas profundas”.
Ainda assim, no discurso antes da votação, que acabaria por ser decisivo, o ex-ministro prometeu uma liderança forte – “a mim não me quebrarão”. E, nas duras críticas que fez ao Governo de Mariano Rajoy, avisou que se o PP insistir “num ajuste ideológico”, como anular a lei do aborto, o PSOE defenderá a revisão dos acordos com o Vaticano, para garantir a separação entre Estado e Igreja.
Notícia actualizada às 19h28



