Rice admite encontrar-se com chefe da diplomacia iraniana

05.04.2007 - 19:15 Por PUBLICO.PT, Agências
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, está disponível para um encontro com o seu homólogo iraniano, Manuchehr Mottaki, à margem da conferência internacional sobre o Iraque, prevista para o início do próximo mês.
“Sempre dissemos que se a conferência ministerial se realizasse não iríamos excluir qualquer interacção diplomática”, afirmou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado.
A conferência, a decorrer em local ainda não determinado, segue-se ao encontro que no mês passado reuniu em Bagdad os embaixadores dos países vizinhos do Iraque e dos membros-permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Na altura, o embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, falou brevemente com os representantes sírios e iranianos, no primeiro contacto directo entre dirigentes das nações rivais em vários anos.
Esta tarde, McCormack admitiu que Rice poderá encontrar-se com Mottaki, mas garantiu que em cima da mesa estará apenas a situação no Iraque e jamais o programa nuclear iraniano. Isto porque Washington condiciona qualquer discussão sobre as ambições nucleares de Teerão à suspensão do programa iraniano de enriquecimento de urânio, suspeito de estar a ser usado para produzir armas nucleares.
Para que esta questão possa ser discutida, “os iranianos têm que respeitar as condições impostas pela comunidade internacional”.
Em relação ao Iraque, Rice deverá com as autoridades iranianas para que suspendam o apoio às milícias xiitas, uma acusação que Teerão sempre rejeitou. “Se há um assunto que importa discutir é, por exemplo, o comportamento iraniano no que diz respeito ao fornecimento de equipamentos mortais aos grupos rebeldes”, afirmou o porta-voz. “Se houver ocasião, essa questão será levantada, mas compete-lhe [a Rice] decidir em função da situação”, acrescentou.
Um dos assuntos quentes nas relações entre Washington e Teerão diz respeito aos cinco iranianos detidos pelas forças norte-americanas, em Janeiro passado, em Erbil, no Norte do Iraque, acusados de fornecerem armas às milícias xiitas.
A diplomacia americana admite agora permitir o acesso consular aos cinco detidos, mas garante que, apesar das pressões, não serão libertados enquanto “continuarem a representar uma ameaça `s segurança do Iraque”.

