Resultados totais, mas não finais, dão vitória folgada a Karzai no Afeganistão

16.09.2009 - 17:01 Por PÚBLICO
Quatro semanas depois da votação e horas depois de serem conhecidas novas suspeitas de fraude massiva, a Comissão Eleitoral afegã anunciou por fim os resultados totais das presidenciais de dia 20 de Agosto: como indicavam os resultados já conhecidos, Hamid Karzai chega à maioria absoluta, com 54,6 por cento dos votos, bem à frente do seu principal rival, Abdullah Abdullah, que reúne 27,7 por cento.
O ainda Presidente Karzai não vai poder declarar-se vencedor - só depois de recontados muitos votos se chegará a uma contagem que possa ser considerada final e à oficialização dos resultados - mas os seus apoiantes lá vão dizendo que “a não ser que aconteça um milagre, Karzai é vencedor”.
O “milagre”, para os opositores do Presidente, seria que fossem anulados suficientes votos para que a votação de Karzai baixasse dos 50 por cento mais um, obrigando-o a disputar segunda volta. Algo que não parece completamente impossível, tendo em conta as preocupações manifestadas hoje pela missão de observadores da UE, segundo a qual, 1,5 milhões de votos podem ser fraudulentos, incluindo 1,1 milhões de boletins a favor do líder pashtun e 300 mil votos em Abdullah.
A campanha de Karzai considerou o anúncio dos observadores europeus “parcial, irresponsável e em contradição com a Constituição do Afeganistão”.
Para além de divulgar os resultados totais, a Comissão Eleitoral anunciou outro dado que tardava, o da participação. Segundo os números oficiais votaram então 38,70 por cento dos eleitores inscritos - um número que em si mesmo nunca foi claro, com alguns responsáveis a referirem mais de 15 milhões de eleitores, outros acima de 17 milhões.
Entre as inúmeras denúncias de fraude, muitas dizem respeito a zonas onde responsáveis locais garantem que os centros de voto não chegaram a abrir e mesmo assim centenas de boletins apareceram nas contas da Comissão Eleitoral. Ontem, antes das denúncias da UE, a Comissão de Queixas, que depende da ONU, anunciou que seriam recontados 10 por cento dos votos.


