Centenas de pessoas saíram às ruas da capital do Togo para protestar contra os resultados oficiais das eleições presidenciais, que dão a vitória a Faure Gnassingbé, filho do defunto Presidente togolês.
Segundo a comissão eleitoral, o candidato do partido no poder conquistou 60,2 por cento dos votos nas eleições de domingo, contra os 30,2 por cento obtidos por Emmanuel Akitani Bob, apoiado por seis partidos da oposição. Harry Olympio, terceiro candidato às presidenciais, não foi além do meio ponto percentual.
“Tendo em conta estes resultados provisórios, Faure Gnassingbé foi eleito Presidente da República”, anunciou o chefe da comissão eleitoral. Os resultados terão ainda de ser confirmados pelo Tribunal Constitucional do país.
Assim que a rádio anunciou os resultados, centenas de apoiantes de Akitani Bob saíram em protesto para as ruas de Lomé, bastião da oposição, onde a votação no candidato oficial não foi além dos 23 por cento.
Os manifestantes, na sua maioria jovens, ergueram barreiras e queimaram pneus junto aos cruzamentos das principais ruas da capital. Surpreendida pela violência dos protestos, a polícia reagiu, atirando granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes.
”Depois de trinta anos de ditadura, agora é o filho que toma o poder”, lamentava um dos manifestantes, enquanto outro, mais jovem, garantia à AFP que “só por cima dos cadáveres da oposição Gnassingbé subirá ao poder”.
Gilchrist Olympio, o principal líder da oposição, proibido de participar nas eleições por continuar no exílio, já veio a público denunciar o que diz ser “uma fraude maciça”. Os representantes dos principais partidos tinham chegado ontem a acordo para a formação de um governo de unidade nacional, mas já hoje a oposição condicionava esse acordo à sua vitória.
Os protestos contra a vitória de Gnassingbé ameaçam prolongar a crise vivida no Togo desde a morte súbita de Gnassingbe Eyadema, que governou este pequeno país da África Ocidental durante 38 anos. Após a morte do pai, o Exército e o Parlamento proclamaram Faure Gnassingbé como Presidente, mas a pressão internacional e os protestos da oposição acabaram por levar o partido no poder a convocar eleições.



