O secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, afirmou hoje, numa entrevista a uma estação de rádio francesa, que o seu país não pretende fabricar a bomba atómica.
Na mesma entrevista, à rádio France Inter, o dirigente iraniano admitiu um corte no abastecimento de petróleo, "se os ocidentais tiverem um comportamento [em relação ao Irão] que altere a situação regional".
"Não queremos ter a bomba, e por isso assinámos o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Somos um país responsável", declarou Larijani.
Enquanto decorria a entrevista de Ali Larijani, o chefe da diplomacia francesa, Philippe Douste-Blazy, declarava, em entrevista à estação de televisão France 2, que o Irão tem um programa nuclear secreto com fins militares.
Reagindo à acusação, feita por Paris pela primeira vez, Larijani disse que não a compreendia e que a lamentava.
"Se eu estivesse no lugar do sr. Douste-Blazy, teria talvez utilizado o peso da França para resolver este problema [o dossier nuclear iraniano]", afirmou Larijani.
"Em vez de levantarem o tom, os diplomatas deveriam procurar uma solução para o problema", sublinhou.
Larijani disse ainda que "a União Europeia não deve servir de eco às posições dos Estados Unidos" e evocou a utilização da "arma petrolífera" para responder a eventuais sanções contra o seu país.
"Não queremos ser os primeiros a comportar-nos dessa maneira, mas se eles tiverem um comportamento que altere a situação regional, haverá porventura um efeito nesse domínio", afirmou.
Ali Larijani é o principal responsável das negociações sobre o dossier nuclear iraniano.


