James Wilbur Fondren, responsável do Departamento da Defesa, ex-membro da Força Aérea, foi hoje acusado de passar informação classificada a um agente do Governo chinês.
Segundo a queixa, divulgada num tribunal da Virgínia, Fondren terá estado envolvido entre 2004 e 2008 naquilo a que os “caçadores de espiões” chamam uma operação de “bandeira falsa” – acreditando que estava a passar dados a um Governo, Taiwan, estava na verdade a trabalhar para outro país, a China.
Fondren, de 62 anos, entregava as informações sob a forma de “relatórios de opinião” a um amigo chamado Tai Shen Kuo, um taiwanês naturalizado norte-americano. Sem Fondren saber, dizem os investigadores, Kuo trabalhava para Pequim.
No ano passado, Kuo declarou-se culpado de conspiração para passar informações da Defesa dos Estados Unidos a pessoas que não poderiam ter acesso a esses dados. Na altura, admitiu ter cultivado uma amizade com outro americano, Gregg Bergersen, ex-funcionário do Departamento de Defesa, para obter dados classificados que depois enviava para o Governo chinês. Kuo foi condenado a 188 meses de prisão; Bergersen, que também confessou, foi condenado a 57 meses.
Segundo a acusação conhecida hoje, Fondren “conspirou de forma ilegal e com conhecimento de causa” para divulgar informações secretas. “As informações deste caso são perturbantes. A entrega de informações classificadas a um agente estrangeiro da República Popular da China constitui uma ameaça séria e real à nossa segurança interna”, disse aos jornalistas Dana Boente, procuradora do distrito leste da Virgínia.
Fondren trabalhou no Pentágono e é director adjunto do Gabinete de Ligação do Comando do Pacífico dos EUA (PACOM), mas desde Fevereiro do ano passado que está de licença sem vencimento. Desde 2001, enquanto funcionário civil do PACOM, dispunha de uma autorização de segurança Top Secret passada pela Administração. Trabalhava numa instalação de “informação sensível” e tinha no seu cubículo um computador desclassificado.
Segundo a acusação, Pequim passava a Tai Shen Kuo instruções pormenorizadas sobre determinados documentos e informações que ele deveria recolher junto dos responsáveis da Administração norte-americana. Kuo, que recebeu cerca de 50 mil dólares por estas tarefas, recebeu de Fondren diferentes “relatórios”, pelos quais pagava entre 350 e 800 dólares.
Oito deles continham informação classificada, incluindo dados sobre encontros entre responsáveis chineses e americanos, exercícios navais conjuntos ou até relatórios sobre o exército chinês. A propósito de um relatório da Defesa sobre a China, Fondren disse a Kuo: “Este é o relatório sobre o qual eu não podia falar ao telefone... Se as pessoas descobrirem que eu fiz isto, perco o meu emprego”.
Se James Fondren for condenado, enfrenta um máximo de cinco anos na prisão e uma multa de 250 mil dólares.


