República Democrática do Congo: manifestantes destroem mesas de voto e cercam observadores internacionais

30.07.2006 - 17:44 Por AFP, Lusa, PUBLICO.PT
Vários manifestantes destruíram hoje as mesas de voto na cidade Mweka, no Sul da República Democrática do Congo, e cercaram um grupo de observadores internacionais. No Centro do país três pessoas ficaram feridas.
Os manifestantes - de vários partidos políticos que se opõem às eleições - destruíram todas as mesas de voto daquela cidade e começaram a provocar os observadores, entre os quais se encontra uma portuguesa.
Militares do Senegal, integrados na força da ONU estacionada no país, já estão a caminho do local, garantiram fontes da Eupol, unidade policial europeia que está a prestar assistência ao processo eleitoral.
Ao início da tarde, um “cocktail Molotov” foi lançado numa mesa de voto em Mbuji-Mayi, no Centro do país, e fez três feridos. “As pessoas dirigiam-se para as mesas de voto para cumprir o seu direito cívico. Foram vítimas da intolerância de alguns jovens que querem perturbar as eleições presidenciais e legislativas em Mbuji-Mayi”, disse Marcel Innocent Kingwa Mwana, o autarca da localidade.
Os partidos políticos que se opõem às eleições acusam a comissão eleitoral independente do país de "irregularidades", nomeadamente a existência de boletins de voto a mais e o desaparecimento de eleitores de listas dos respectivos cadernos eleitorais.
Os manifestantes acusaram ainda a comunidade internacional, nomeada a União Europeia, de beneficiar o actual Presidente e candidato Joseph Cabila. Este está à frente dos destinos do país desde 26 de Janeiro de 2001.
Mais de 25 milhões de eleitores, em 50 mil urnas de voto, escolheram hoje entre 33 candidatos à presidência e 9707 candidatos aos 500 assentos do Parlamento. O escrutínio deverá pôr fim a uma transição delicada, lançada em Julho de 2003, depois de uma guerra regional que durou cerca de cinco anos neste país com mais de 62 milhões de habitantes.
Os resultados das eleições presidenciais serão conhecidos dentro de três semanas e os das legislativas vão sendo anunciados à medida da contagem dos votos.
As eleições foram vigiadas por 80 mil polícias congoleses, 17.600 capacetes azuis e mil soldados europeus. No terreno estão também 47 mil observadores nacionais e 1500 internacionais.

