Eleições legislativas e presidenciais

República Democrática do Congo: habitantes afectados por boicote podem votar hoje

31.07.2006 - 09:57 Por Reuters, PUBLICO.PT

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Ontem, a afluência às urnas foi significativa Ontem, a afluência às urnas foi significativa (Jerome Delay/AP)
Dezenas de mesas de voto estão hoje a ser reabertas na República Democrática do Congo. Em causa estão as secções colocadas numa zona controlada por um político congolês que ontem impôs um boicote em Mbuji-Mayi.

Os eleitores têm assim uma nova oportunidade para votar, depois de ontem não terem sido autorizados a fazê-lo devido à violência na zona.

Ontem foi um dia histórico na República Democrática do Congo: pela primeira vez em mais de 40 anos realizou-se uma votação para eleger o Parlamento e o Presidente.

União Europeia acusada de beneficiar Joseph Kabila

O acto eleitoral foi manchado apenas por incidentes em Mweka, no sul do país, onde todas as mesas de voto foram destruídas e os observadores internacionais foram alvo de provocações. Em Mbuji-Mayi, no centro, um "cocktail Molotov" foi lançado contra uma mesa de voto, fazendo três feridos.

Na origem destes actos estão partidos políticos que acusam a comissão eleitoral independente do país de irregularidades, nomeadamente a existência de boletins de voto a mais e o desaparecimento de eleitores de listas dos respectivos cadernos eleitorais.

Os manifestantes acusaram ainda a comunidade internacional, nomeadamente a União Europeia, de beneficiar o actual Presidente e candidato, Joseph Kabila, que é Presidente desde 2001.

As autoridades estão hoje a reabrir 172 mesas de voto em Mbuji-Mayi, onde os manifestantes, alegadamente apoiantes do político veterano Etienne Tshisekedi, incendiaram as mesas e material usado no escrutínio.

Etienne Tshisekedi desencorajou o recenseamento eleitoral dos seus apoiantes e ontem, segundo os resultados em dez mesas de voto, apenas cerca de 15 por cento dos eleitores foi votar.

A contagem dos votos vai decorrer nas próximas semanas. Primeiro vão ser contados os votos para as presidenciais, às quais concorreram 33 candidatos, seguindo-se a contagem para as legislativas, com 9707 candidatos a disputar os 500 lugares do parlamento do país.

Depois de contados, os resultados serão afixados nas respectivas assembleias eleitorais, para serem supervisionados pela Comissão Eleitoral Independente. Os resultados oficiais deverão ser divulgados dentro de três semanas.

Mais de 25,6 milhões de pessoas estavam recenseadas para as eleições na República Democrática do Congo, um país com uma área equivalente à da Europa Ocidental, liderado durante 32 anos pelo ditador Mobuto Sese Seko.

As novas instituições vão substituir o actual Governo de transição, criado após os acordos de paz e formado por todas as facções que participaram no conflito que terminou em 2003 e que provocou a morte a mais de três milhões de pessoas.

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