Reportagem: Primeiras palmas para Bachelet, Uribe engana-se na porta

30.11.2009 - 08:19 Por Isabel Gorjão Santos
Ainda falta uma hora para chegarem os chefes de Estado e de Governo, mas os jornalistas já ocupam os lugares na parte de trás da tenda onde, daí a pouco, começará a XIX Cimeira Ibero-Americana.
É uma tenda transparente, iluminada em tons de vermelho e verde, com um púlpito para os discursos e dois ecrãs gigantes onde é projectada a imagem da Torre de Belém.
Ao lado está outra tenda, mais pequena, onde será servida uma refeição. Vistas do céu, as duas tendas formam o "i" de Inovação, o tema central da cimeira. Fazem-se as últimas limpezas. Gente de passo apressado segura o telefone e confirma os últimos detalhes. Combinam-se planos e directos, ligam-se cabos, testam-se equipamentos.
Os chefes de Estado e de Governo serão recebidos pela chuva. Há um corredor com uma cobertura de plástico a separar as duas tendas, mas a água faz poças e, de tempos a tempos, os seguranças empurram a lona para afastar a água, sob o olhar de senhoras de brincos compridos ou fios de filigrana portuguesa, que acompanham os convidados.
Os jornalistas perguntam, afinal, quem vem e quem não vem, mas não falta muito para que as dúvidas se desfaçam. Passa pouco das 19h30 quando chega o primeiro-ministro José Sócrates e as televisões fazem os primeiros directos. Pouco depois junta-se ao primeiro-ministro o Presidente, Cavaco Silva, e a mulher. São eles que, alinhados, passarão os próximos minutos a cumprimentar quem chega, distribuindo beijos ou apertos de mãos. Há um helicóptero que sobrevoa a tenda onde são projectadas as palavras inovação e innovación.
O Presidente colombiano Álvaro Uribe quase passou despercebido ao entrar com a sua comitiva pela porta errada da tenda. Pouco depois das 20h chega a Presidente chilena Michelle Bachelet, de casaco preto e dourado. São para ela as primeiras palmas da noite. Sorri para Cavaco Silva, depois para Sócrates, e segue em frente para dar lugar a outro convidado. Passariam vinte minutos até à chegada da Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, preparada com um sobretudo preto para o frio e a chuva de Lisboa.
Volta a ouvir-se um aplauso quando entra o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, já pelas 20h30. Mas o aplauso mais forte acabou por ser para Patrícia Rodas, ministra dos Negócios Estrangeiros do Governo das Honduras que foi deposto por um golpe militar a 28 de Junho. Não seria preciso ouvir as referências às Honduras do Presidente de El Salvador Maurício Funes ou do secretário-geral da Cúpula Ibero-Americana, Enrique Iglesias, para perceber que a crise nas Honduras, onde ontem houve eleições, vai ser um tema fundamental na cimeira.
O rei de Espanha, Juan Carlos, foi dos últimos a chegar, e foi também para ele o último aplauso antes de a cerimónia começar (Lula não chegou a tempo). Quase em fila, os líderes políticos ocuparam a primeira fila. A sala levanta-se e dos altifalantes sai uma voz feminina que parece ditar uma carta: "Lisboa, 29 de Novembro de 2009. Vamos dar início à XIX Cimeira Ibero-Americana".


