A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Margaret Beckett, anunciou hoje a suspensão das relações bilaterais com o Irão até à resolução da crise provocada pela captura, sexta-feira passada, de 15 militares britânicos na região Golfo Pérsico.
As únicas excepções a este corte serão os contactos diplomáticos estritamente necessários para conseguir a libertação dos marinheiros e fuzileiros da Armada britânica.
“Entrámos numa nova fase da actividade diplomática. Precisamos de concentrar os nossos esforços durante esta fase para resolver o caso”, justificou Beckett, que falava durante uma sessão especial da Câmara dos Comuns.
“Vamos, por isso, impor a suspensão de todas os outros contactos diplomáticos com o Irão até que esta situação esteja resolvida”, acrescentou, antes de afirmar: “Que ninguém duvide da seriedade com que tratamento estes acontecimentos”.
Pouco antes deste anúncio, o primeiro-ministro Tony Blair declarou que tinha chegado o momento de "aumentar a pressão internacional e diplomática" sobre o Irão, para demonstrar o "isolamento total" do país nesta matéria.
Londres garante que os militares, pertencentes à tripulação "HMS Cornwall", estavam numa missão de patrulhamento em águas territoriais iraquianas, autorizada pela ONU, considerando "completamente sem fundamento" a acusação de instrusão em águas iranianas.
O incidente ocorreu no extremo norte do Golfo Pérsico, uma zona por onde passa grande parte da produção petrolífera da região e que, por isso, tem grande interesse estratégico para Irão e Iraque. Já em 2004, seis militares britânicos foram detidos no canal Shatt al-Arab, uma estreita faixa de mar disputada entre os dois países.
Esta manhã, o Ministério da Defesa britânico divulgou dados recolhidos por satélite, segundo os quais os militares britânicos foram capturados a 1,7 milhas náuticas (3,15 quilómetros) da fronteira marítima com o Irão. Segundo um mapa apresentado aos jornalistas, o navio mercante que os militares foram inspeccionar estava posicionado "29 graus e 50,36 minutos Norte/48 graus e 43,08 minutos Leste", bem no interior das águas territoriais iraquianas.
Segundo o almirante Charles Style, chefe adjunto do Estado-Maior da Armada britânica, na primeira explicação que as autoridades iranianas deram a Londres indicaram que o navio patrulha que capturou os militares estava numa posição correspondente a águas iraquianas e só mais tarde, detectado o erro, corrigiram a suposta localização.



