O speaker da Câmara dos Comuns britânica vai hoje pronunciar-se publicamente no Parlamento depois de ter sido instado ontem a demitir-se pela forma como tem vindo a gerir o escândalo de gastos questionáveis dos deputados, que deixou manchadas praticamente todas as forças partidárias no Reino Unido.
O desafio de demissão a Michael Martin – um gesto raro no país – foi feito expressamente pelo líder dos Liberais Democratas, Nick Clegg, o qual instou também à dissolução do Parlamento, sublinhando a enorme pressão exercida sobre os políticos britânicos desde que o jornal "The Daily Telegraph" começou, há dez dias, a revelar uma série de despesas pagas pelos deputados com dinheiros públicos. No escândalo, foram também implicados o primeiro-ministro, Gordon Brown, e o líder da principal força da oposição, o conservador David Cameron.
Uma moção de censura a Martin será hoje apresentada ao Parlamento, com a justificação de uma total incapacidade do speaker em restaurar a confiança no Parlamento junto da opinião pública, após serem conhecidos os extravagantes – e em muitos casos duvidosos – gastos que os deputados cobraram à Comissão de Despesas da Câmara dos Comuns.
“Cheguei à conclusão que o speaker tem que se ir embora”, afirmou Clegg, em declarações às câmaras da BBC. Na sua edição online, a BBC citava esta manhã o influente deputado trabalhista Stuart Bell a manifestar confiança de que a esperada declaração de Martin seja um anúncio de que este continuará no seu posto até às próximas eleições legislativas.


