Reino Unido pede, pela primeira vez, desculpa às vítimas da talidomida

14.01.2010 - 20:27 Por PÚBLICO
O Governo britânico anunciou que tem intenção de pedir desculpa, no parlamento, às vítimas da talidomida no país. E decidiu ceder às reivindicações dos 466 afectados e atribuir 20 milhões para o fundo de apoio a esta causa.
A talidomida, criada na Alemanha em 1957, tornou-se um dos maiores desastres da medicina. Um medicamento que parecia inofensivo para dores de cabeça, insónias e enjoos, tão inofensivo que era prescrito a grávidas, e que foi descrito como seguro em testes animais, foi o responsável por mais de 10 mil casos de malformações graves em fetos em 46 países do mundo. Muitos bebés não chegaram a nascer devido aos problemas graves que desenvolviam durante a gestação. Os Estados Unidos nunca o chegaram a adoptar.
Já em 1960 eram descritos casos de malformação em fetos associados ao medicamento. Mas só em 1962 a relação entre a talidomida e as deformações nos fetos foi confirmada e o medicamento proibido para grávidas ou, em alguns casos, em mulheres na idade fértil. Outros países baniram-no.
Há muito tempo que os sobreviventes da chamada “geração da talidomida” no Reino Unido, reivindicavam um apoio estatal para apoiar as despesas de saúde que tinham e que aumentavam com o avançar da idade. O fundo será gerido, durante três anos, pelo Thalidomida Trust. Esta associação foi criada para gerir os 28 milhões de indemnização pagos em 1970 pela Distillers Biochemicals, a empresa que comercializava a talidomida no Reino Unido, para compensar as duas mil crianças afectadas pelo medicamento.


