Reino Unido: Ex-governante trabalhista cobrou hipoteca que não existia

14.05.2009 - 09:40 Por PÚBLICO
O antigo secretário de Estado trabalhista da Agricultura Elliot Morley cobrou despesas ao Parlamento de mais de 16 mil libras (17800 euros) por uma hipoteca que já tinha sido totalmente saldada, revelava ontem à noite o diário "The Daily Telegraph", engrossando cada vez mais o escândalo dos gastos questionáveis cobrados por deputados – de praticamente todas as forças partidárias – no Reino Unido. Esta tarde, o primeiro-ministro, Gordon Brown, anunciou a suspensão do deputado.
Ao longo de mais de 18 meses, já depois de o empréstimo de compra da casa em causa estar pago ao banco, desde Março de 2006, Morley continuou a cobrar – ao abrigo das despesas permitidas em segundas casas aos deputados eleitos fora do círculo de Londres – 800 libras por mês, precisa o "Telegraph".
Esta nova revelação – num rol em que foram implicados em despesas questionáveis desde o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, até ao líder da oposição, David Cameron – constitui a mais grave feita pelo diário britânico que conduz uma extensa, e prolongada, investigação com base nos dados obtidos num CD-ROM da comissão de despesas da Câmara dos Comuns.
Juristas ouvidos pelo "Telegraph" avaliaram que as cobranças feitas por Morley podem mesmo constituir um acto criminal ao abrigo da legislação de fraude e apropriação ilegítima.
O antigo secretário de Estado dos trabalhistas, em comunicado, sustentou ainda ontem à noite que acreditara não estar a cometer qualquer ofensa e avançou que havia já reembolsado o Parlamento de algum do dinheiro em causa, sem precisar porém qual o montante. “Cometi um erro, peço desculpa por isso e assumo toda a responsabilidade. A minha prioridade era reembolsar e sofro financeiramente por causa disso. Mas tenho apenas a mim próprio a culpar”.
Logo pela manhã, o primeiro-ministro Gordon Brown disse estar "muito preocupado" com a divulgação da notícia e, horas depois, durante a apresentação da campanha às eleições locais e europeias de 4 de Junho, anunciou a suspensão de Morley do Partido Trabalhista. Sustentando que as acusações feitas ao antigo ministro são "graves", Brown reafirmou que "serão tomadas medidas sempre que forem cometidos erros ou as normas tenham sido transgredidas".
Do lado dos Tories, depois de na véspera Cameron ter dado ordens claras e expressas para todos os implicados do seu partido neste escândalo reembolsarem os valores que lhes tinham sido pagos pelos Comuns, mais de 20 deputados conservadores anunciaram publicamente que o vão fazer, incluindo mesmo três cujos nomes e gastos não foram revelados pelo "Telegraph".
Notícia actualizada às 14h46

