O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e cerca de metade dos deputados, vão muito provavelmente ter que justificar ou devolver parte das verbas recebidas para pagamento de despesas, noticiou a imprensa, na véspera da reabertura do Parlamento.
Quando já há resultados de uma auditoria às despesas, fontes do gabinete do chefe de Governo admitiram ao Daily Telegraph que é “muito provável” que Brown tenha que devolver parte do dinheiro que usou para pagar gastos de um apartamento que partilharia com o irmão, Andrew Brown. Também o correspondente político da BBC Ian Watson, admitiu que o primeiro-ministro tenha que devolver verbas e seja vítima da auditoria que ele próprio pediu.
A equipa que auditou as despesas, nomeada pelo Governo, deve enviar hoje a todos os membros da Câmara dos Comuns uma carta em que lhes diz se as suas notas de despesa estão de acordo com as regras ou foram detectadas irregularidades, noticiou o Telegraph. O Sunday Times escreveu que mais de 300 dos 650 deputados poderão ter que devolver dinheiro.
A auditoria às despesas nos últimos cinco anos foi pedida por Brown, na sequência do escândalo de gastos abusivos de políticos – tanto trabalhistas como conservadores e liberais – que abalou o país. Muitos parlamentares foram acusados de apresentarem pedidos excessivos de reembolso e de não terem pago impostos devidos pela venda de casas.
A equipa de auditores dirigida por Thomas Legg também investigou, segundo a BBC, o uso de dinheiro público para melhorar propriedades, abusando das regras que prevêem apenas o pagamento da sua conservação.
As despesas pagas pelo chefe do Governo ao irmão, 6577 libras (cerca de 7075 euros) destinaram-se à limpeza de um apartamento em Westminster durante 26 meses. O gabinete de Brown justificou o pagamento, alegando que o primeiro-ministro usava também o apartamento como residência parlamentar e que apenas reembolsou Andrew de parte do dinheiro que pagara. Foi também noticiado que Gordon teria apresentado facturas da assinatura do canal Sky Sports.
No sábado, o primeiro-ministro disse que “os piores infractores”, que tenham apresentado falsas despesas, deviam ser acusados judicialmente. J.M.R


