Reino Unido admite abdicar de uma maior fatia do "cheque britânico"

16.12.2005 - 19:21 Por AFP, PUBLICO.PT
A nova proposta da presidência britânica para o próximo orçamento comunitário prevê uma redução adicional de 2500 milhões de euros no reembolso que o Reino Unido recebe anualmente dos cofres europeus. A concessão de Londres poderá facilitar um acordo na cimeira europeia, ainda a decorrer em Bruxelas.
Segundo fontes diplomáticas europeias, o Reino Unido irá abdicar de um total de 10,5 mil milhões de euros dos 50 a 55 milhões de euros que deveria receber dos cofres comunitários entre 2007 e 2013, caso não fosse revisto este instrumento de excepção.
A redução vai ao encontro das exigências dos restantes Estados-membros, como é o caso da França, que tinha defendido uma redução mais drástica do "cheque britânica", propondo a fasquia de 14 mil milhões de euros.
Em contrapartida, a revisão do "cheque" não ocorrerá antes da entrada em vigor do próximo quadro orçamental (2007-2013). Da mesma forma qualquer alteração de fundo a este instrumento deverá ocorrer apenas em 2008 ou 2009, aquando da revisão orçamental que Londres pretende realizar e que deverá também incluir uma ponderação das verbas destinadas à agricultura.
A mesma fonte adianta que a proposta britânica, a terceira apresentada por Londres em menos de duas semanas, prevê também um aumento das verbas inscritas no próximo orçamento, para um montante total de 862,5 mil milhões de euros, ou seja 1,045 por cento do Rendimento Nacional Bruto da UE (RNB).
Este valor – idêntico ao proposto esta tarde pela Alemanha – representa um aumento de 13,2 mil milhões de euros face à anterior proposta, apresentada quarta-feira por Londres, e que tinha já recebido o aval de vários países, como é o caso de Portugal.
Em declarações aos jornalistas, Blair afirmou que a derradeira proposta apresenta "um conjunto justo e razoável". "As pessoas devem agora decidir se querem ou não chegar a acordo", acrescentou.
O novo projecto foi entregue ao final da tarde às várias delegações presentes em Bruxelas, após uma tarde de encontros bilaterais. Fontes em Bruxelas adiantam que as negociações devem prosseguir após o jantar, adiando por mais algumas horas o encerramento da cimeira, numa altura em que várias delegações admitem que um acordo sobre as denominadas Perspectivas Financeiras poderá estar para breve.


