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Shirin Ebadi ficou sem a medalha, o diploma e o cheque que recebeu em 2003

Regime islâmico confiscou o primeiro Nobel da Paz atribuído a uma muçulmana

27.11.2009 - 18:48 Por Margarida Santos Lopes

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Shirin Ebadi veio a Lisboa em Setembro, lançar o seu livro "Gaiola de Ouro" Shirin Ebadi veio a Lisboa em Setembro, lançar o seu livro "Gaiola de Ouro" (Thierry Roge/Reuters)
O Nobel da Paz de Shirin Ebadi – o primeiro atribuído a uma muçulmana – foi confiscado por um regime islâmico. É um acto “chocante” e sem precedentes nos 108 anos de história deste prémio, lamentou o comité norueguês que a galardoou.

Responsáveis em Teerão garantem que só congelaram contas bancárias por fuga aos impostos. “Eles não dizem a verdade!”, acusou a advogada a quem ameaçaram a família, vandalizaram a casa e encerraram o escritório.

“O prémio Nobel estava num cofre no banco Tejarat e eles apreenderam-no”, disse à BBC Shirin Ebadi, reagindo a um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão que critica a “ingerência” de Oslo nos seus assuntos internos. “Tal como muitos países europeus, a evasão fiscal é um crime e os indivíduos que cometem estes actos enfrentam penas legais”, disse um porta-voz citado pelo site oficial Press TV.

Segundo o Comité Nobel, a medalha e o diploma recebidos em 2003 foram retirados de um “cofre pessoal” há cerca de três semanas, por ordem de um tribunal revolucionário. Também foram confiscados a Legião de Honra com que a França homenageou Ebadi e um anel que uma associação de jornalistas alemães lhe oferecera.

A “penhora”, a que poderá juntar-se ainda a expropriação da casa da família, é justificada pelo tribunal com o não pagamento de 410 mil dólares em impostos relativos ao Nobel. Ebadi assevera que, ao abrigo das leis iranianas, o prémio equivalente a 1,3 milhões de dólares – “usado para ajudar prisioneiros de consciência e suas famílias” – está isento de qualquer taxa.

Marido detido e espancado
“É a primeira vez que um Nobel da Paz é confiscado por autoridades de Estado – estamos estupefactos”, comentou o ministro norueguês dos Negócios Estrangeiros, Jonas Gahr Stoere, sublinhando que a liberdade de expressão no Irão está “sob enorme pressão”. O encarregado de Negócios iraniano em Oslo foi chamado para receber um protesto formal, porque “até dissidentes políticos como [o russo Andrei] Sakharov e [o polaco Lech] Walesa foram mais bem tratados nos seus países.”

“Querem pressionar-me mas não vão conseguir”, disse Ebadi à rádio Farda, que emite em farsi para o Irão, a partir de Praga. “Se a República Islâmica está furiosa devido à publicação de relatórios sobre os direitos humanos, faria melhor em respeitá-los”. Numa outra entrevista, ao site The Huffington Post, Ebadi confirmou que o marido, o engenheiro Javad Tavassolian (“detido e brutalmente espancado”), a irmã e o irmão têm sido frequentemente ameaçados.

Em 2003, Ebadi estava de visita a França quando soube que ganhara o Nobel. De regresso a casa, foi recebida como os heróis. “A última vez que tão portentosa massa humana afluíra ao aeroporto de Teerão corria o ano de 1979 e a personalidade a bordo do voo que vinha de Paris era o ayatollah Khomeini”, escreveu na autobiografia O Amanhecer do Irão (Ed. Guerra e Paz).

Agora que o prémio foi confiscado, ela está de novo fora do país, em Londres. Deixou o Irão, pouco antes das presidenciais de Junho e subsequentes protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad e ainda não voltou. Não se considera uma exilada, e afiança que regressará “na altura certa”. Não especificou condições nem datas.

Para vários analistas, o aumento da pressão sobre Ebadi reflecte o nervosismo do regime em vésperas de protestos previstos para 7 de Dezembro, Dia do Estudante. Grupos de direitos humanos e websites do campo reformista têm dado conta de um aumento das perseguições e detenções em liceus e universidades, onde foi reforçado o número de milicianos, para desencorajar manifestações da oposição.

“Há uma separação cada vez maior entre o povo e o governo”, afirmou Ebadi ao PÚBLICO, quando veio a Lisboa, em Setembro, lançar a sua Gaiola de Ouro (Esfera dos Livros). “É certo que o governo não foi derrubado, mas seguramente que ficou enfraquecido. Jamais esqueceremos a violência nas ruas” – centenas de mortos, feridos, presos, torturados.

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A Margarida tomou como suas dores alheias?

Nisto é que o porta-voz do MNE do Irão se enganou ao dizer “Tal como muitos países ...

Luis

28.11.2009 09:36

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