Rebeldes invadiram complexo de Khadafi mas não capturaram o coronel

23.08.2011 - 23:05 Por Isabel Gorjão Santos
O complexo militar de Bab al-Aziziya em Trípoli foi invadido pelos rebeldes líbios, mas naquele que até agora foi o bastião de Khadafi não havia sinais do coronel. Os confrontos prosseguiram em Trípoli e a confusão instalou-se após o reaparecimento de Saif al-Islam, o filho de Khadafi que os rebeldes garantiram ter detido.
A tomada de Bab al-Aziziya, ao início da tarde desta terça-feira, foi uma vitória importante para os rebeldes, mas não a vitória que estes esperariam alcançar. O complexo militar era um dos locais onde se pensava que Khadafi pudesse estar escondido, mas nas imagens que dali chegaram viram-se apenas pilhagens, um busto do coronel pontapeado pelo chão, tiros disparados para o ar, em festa. De Khadafi, nada.
Ao início da manhã tinham-se aproximado do local veículos com rebeldes armados para tomar o complexo, mas dali partem túneis em direcção a vários pontos da cidade. Khadafi terá escapado, não se sabe quando ou para onde. Trípoli está praticamente tomada pelos rebeldes, mas as forças de Khadafi continuaram a oferecer resistência em alguns pontos da cidade, sobretudo junto ao hotel Rixos, onde se encontram vários jornalistas estrangeiros.
Um dos rebeldes, o coronel Ahmed Omar Bani, porta-voz militar da rebelião, confirmou à AFP a entrada no complexo. “As nossas forças entraram em Bab al-Aziziya, assumimos o controlo de uma das entradas”. Pouco depois, a estação de televisão Al-Jazira noticiou que os rebeldes já tinham conseguido aceder à casa de Khadafi dentro do complexo militar. “Bab al-Aziziya está inteiramente sob nosso controlo, mas o coronel Khadafi e os seus filhos não estão aqui”, disse à AFP Ahmed Omar Bani. “Ninguém sabe onde estão”.
A entrada no complexo quase não teve resistência, apesar da força de centenas de homens leais a Khadafi que guardava Bab al-Aziziya. Os rebeldes entraram no local onde Khadafi vive, onde há edifícios militares e do Governo, e festejaram o fim do regime sem capturar o coronel que governou a Líbia ao longo dos últimos 42 anos.
Forças de Khadafi recuam para Sirte
Após a chegada a Trípoli dos rebeldes, é agora para Sirte, a cidade onde nasceu Khadafi, que as forças leais ao coronel estão a recuar. Foi daí que, na noite de segunda-feira, foram lançados três mísseis tipo Scud em direcção à cidade de Misurata, confirmou a NATO. E entre várias teorias e especulação, Sirte tem sido também apontada como um local para onde Khadafi poderá ter fugido.
É também para Sirte que se estão a deslocar os rebeldes, que na frente Leste conquistaram nesta terça-feira o porto da cidade petrolífera de Ras Lanuf, naquela que será a última fase dos confrontos que já se prolongam há seis meses.
O coronel não aparece em público desde Junho, e na última mensagem áudio que tornou pública, no sábado, garantiu que estava em Trípoli. Hoje o político russo Kirsan Ilioumjinov, que foi governador da região de Kalmoukie, na Rússia, e é hoje presidente da Federação Internacional de Xadrez, garantiu que falou com o coronel ao telefone e que ele está “vivo e de boa saúde”.
Primeiro Ilioumjinov terá falado com Muhammad Khadafi, o filho do coronel que, segundo os rebeldes, chegou a ser detido mas foi depois libertado pelas forças leais ao pai. “Estou vivo e de boa saúde, estou em Trípoli e não pretendo sair da Líbia. Não acreditem nos relatos mentirosos das televisões ocidentais”, disse Khadafi a Ilioumjinov, citado pela agência Interfax.
Responsáveis do Pentágono também adiantaram que Khadafi estará em Trípoli e o Presidente norte-americano Barack Obama disse na segunda-feira que o seu regime “chegou ao fim”. Os rebeldes anunciaram que irão transferir o seu comando de Bengazi, onde a revolta começou a 27 de Fevereiro, para Trípoli, e ao final do dia o número dois do Conselho Nacional de Transição líbio, Mahmoud Jibril, disse que “a transição começará imediatamente”.


