Depois do anúncio feito hoje pela Academia, que entregou o prémio Nobel da Paz 2007 a Al Gore e ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, as reacções não se fizeram esperar. Quer em Portugal, quer internacionalmente, as opiniões divergem e são extremas, com as críticas apontadas sobretudo para antigo vice-presidente dos EUA. Enquanto a grande maioria felicita a escolha e sente que esta influenciará o futuro da problemática das alterações climáticas, outros pensam que Al Gore apenas está a promover a sua imagem numa adesão recente e pouco clara à temática ambiental.
Reacções internas
Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia: “O seu trabalho constituiu uma inspiração para os políticos e cidadãos”. (Lusa)
Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa: “É tempo de descarbonizar o nosso modelo de desenvolvimento, apostando nas tecnologias limpas, nas energias renováveis e na eficiência energética, no quadro do Protocolo de Quioto”. (Lusa)
Carlos Pimenta, antigo eurodeputado e ex-secretário de Estado do Ambiente: “Se Al Gore tivesse sido presidente dos Estados Unidos não tinha havido guerra do Iraque porque nunca montaria as mentiras usadas pela Administração Bush”. (PUBLICO.PT)
Nunes Correia, ministro do Ambiente: "É impossível não fazer essa leitura, até porque o Al Gore tem sido um crítico da administração Bush". (Lusa, questionado sobre se o Nobel seria uma aviso para a Bush ratificar o Protocolo que Quioto)
Luísa Apolónia, deputada d´Os Verdes: "Há que lembrar que Al Gore não fez das alterações climáticas uma bandeira na sua campanha [à presidência dos Estados Unidos]”. (Lusa)
Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas: “O facto de ser partilhado pelo Al Gore e pelo IPCC também é bastante significativo. Al Gore desempenhou um papel muito importante em divulgar este problema junto da opinião pública”. (Lusa)
Francisco Ferreira, Quercus: “Foi muito bem atribuído. Estamos a falar do principal problema ambiental, mas também social e económico que temos actualmente”. (Lusa)
Jorge Paiva, catedrático: “Gore não tem mérito para receber o Nobel da Paz pois ganhou dinheiro com o documentário". (Lusa)
Instituto de Meteorologia: “(os galardoados fizeram uma) importante difusão da mensagem mediatizada à escala global”. (Comunicado)
Reacções externas
Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca: “É um reconhecimento importante mas nada alterará na Administração Bush”. (AFP)
Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos: “Ele viu os acontecimentos antes de todos e nunca parou de impulsionar acções de defesa do nosso planeta, mesmo perante a indiferença e os ataques públicos”. (Comunicado)
Ban Ki-monn, secretário-geral das Nações Unidas: “Um encorajamento das as respostas mundiais para os sujeitos planetários”. (AFP)
Achim Steiner, director executivo do Programa das Nações Unidas para o ambiente: “Os dois vencedores contribuíram para aumentar a atenção pública para a temática do aquecimento global apresentando os grandes riscos mas também as oportunidades”.
Nicolas Sarkozy, presidente francês: “Devemo-nos manter todos unidos sobre a égide das Nações Unidas para reunir e concretizar esforços numa estratégia global”. (AFP)
Alfonso Pecoraro, ministro do Ambiente italiano: “A melhor resposta possível para combater os alterações climáticas em curso”. (AFP)
Vaclav Klaus, presidente da República Checa: “É surpreendente que Al Gore receba um prémio para a paz, quando as suas actividades mundiais são indistintas e pouco claras”. (AFP)
Andreï Illarionov, antigo conselheiro económico do presidente russo Vladimir Putin: “A pior escolha de toda a história, pela deformação e falsificação de forma violenta dos conhecimentos sobre o ambiente”. (AFP)
Júlia Marton-Lefèvre, directora-geral da União Mundial de Conservação: “O prémio vai ajudar pessoas e governos a ligar paz a ambiente e a tomar medidas concretas para combater as alterações climáticas”.
Bjorn Stigson, presidente do World Business Council for Sustainable Development: “É um prémio encorajador, uma vez que mostra que as alterações climáticas não são apenas uma questão de reduzir as emissões se CO2 e têm outros impactos sociais”.


