Os rebeldes leais a Laurent Nkunda acusaram hoje o governo da República Democrática do Congo de “lançar a guerra” no país ao recusar-se a negociar directamente com os revoltosos, que se encontram actualmente às portas da cidade de Goma.
“Ao rejeitar a oferta de diálogo directo com o CNDP [Congresso Nacional para a Defesa do Povo da Rebelião], como foi recomendado pelo Parlamento, o governo vem confirmar a sua posição militarista”, disse à AFP Bertrand Bisimwa, porta-voz do movimento rebelde, numa conversa telefónica a partir de Kinshasa. Os rebeldes consideram que se trata de “um acto de sabotagem”, com o “governo a lançar a guerra contra o seu povo”.
Ontem, o renegado general tutsi Laurent Nkunda, líder dos rebeldes que nas últimas semanas colocaram em xeque o Exército da República Democrática do Congo (RDC), ameaçou perseguir o governo se este se recusar a iniciar negociações directas. Hoje, as autoridades de Kinshasa responderam ao pedido dos rebeldes, rejeitando qualquer tentativa de diálogo.
Missão da ONU deverá ser diferente
Os combates entre rebeldes e o exército congolês, que foram retomadas a 28 de Agosto em Nord-Kivu numa violação do cessar-fogo concluído em Janeiro, constituem um regresso à violência no este do antigo Zaire. Neste momento, a missão da ONU na RDC (Monuc) é considerada a única força organizada que permanece em Goma (este), de onde as tropas governamentais fugiram perante o avanço de um grupo rebelde. A Monuc, cujo efectivo total é de 17 mil homens, dispõe de um batalhão com cerca de 850 soldados, apoiados por unidades em Goma.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, a Monuc deverá ter “soldados diferentes, regras de empenho diferentes e uma vontade de comando diferente”.
Kouchner, que falava após um encontro informal dos 27 chefes da diplomacia da União Europeia, em Marselha, França, sustentou que existem na RDC “brigadas inteiras que são incapazes de se empenhar numa acção, seja ofensiva ou mesmo defensiva, porque as suas regras de empenho não são suficientes ou são muito restritivas”. Para o ministro francês, deveria aumentar-se o número de soldados ou aumentar a sua eficácia.
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros congolês apelou a que a missão da ONU tenha uma actuação mas intensa. “A dificuldade é de rapidamente fazer com que o Conselho de Segurança redefina o mandato da Monuc para que esta possa desenvolver operações mais musculadas”, defendeu Alexis Tambwe Muamba, numa entrevista ao diário “Le Monde” publicada hoje.
General Gaye regressa à liderança da Monuc
Já esta tarde, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou que o general sengalês Babacar Gaye vai regressar à liderança da força das Nações Unidas na RDC, depois do seu sucessor, o espanhol Vicente Diaz de Villegas, ter pedido a demissão.
Gaye comandou a Monuc de Março de 2005 a Outubro de 2008, antes de ser substituído por Villegas, que se demitiu no final do mês passado, oficialmente por razões pessoais.
A nova nomeação do general Gaye é válida por um período máximo de seis meses, até que o secretário-geral da ONU encontre um novo sucessor.
Ban Ki-moon, anunciou a nomeação do antigo presidente da Nigéria, Olusegun Obansajo, para emissário especial da ONU. Obasanjo tem como missão tentar resolver a crise na República Democrática do Congo.
Notícia actualizada às 20h02



