A cimeira de Estrasburgo-Kehl deveria escolher o nome do sucessor de Jaap de Hoop Scheffer, o holandês que há cinco anos exerce o cargo civil mais alto da Aliança Atlântica. Nas últimas semanas, o nome do actual primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, surgiu quase como imbatível.
Rasmussen tinha o patrocínio dos três "grandes" europeus, Alemanha França e Reino Unido, e aparentemente não tinha a oposição de Washington. Há uma regra não escrita na "divisão de trabalho" da Aliança segundo a qual o cargo de secretário-geral é ocupado por um europeu e o supremo comando militar cabe sempre a um americano.
Só faltava a concordância oficial do próprio, ontem finalmente confirmada em Copenhaga pela imprensa dinamarquesa.
Nos últimos dias, contudo, as certezas começaram a transformar-se em dúvidas.
O obstáculo mais visível que o veterano líder dinamarquês enfrentava eram as objecções da Turquia. Ancara considera que a sua escolha seria um sinal negativo para o mundo islâmico, invocando a forma como geriu a "crise dos cartoons" de 2006.
O candidato tem a seu favor uma longa experiência governativa, europeia e internacional. Está no cargo há 8 anos e ganhou prestígio durante a presidência da União que exerceu em 2002. Lidera um país tradicionalmente "atlantista", ficou do lado da América na guerra do Iraque que dividiu a Europa ao meio. Tem um número muito significativo de tropas no Afeganistão.
Se tudo isto não terá provocado qualquer reserva em Berlim ou em Paris, acontece que o seu nome também não é muito bem visto em Washington.
Obama não impedirá a sua escolha se essa for a vontade europeia, mas tem alguma compreensão pelos argumentos turcos. Não tanto por aquilo que aconteceu na altura, mas pelo sinal que poderia dar ao mundo islâmico.
A questão é que parece não haver um candidato alternativo. O segundo nome mais falado, do ministro dos Negócios Estrangeiros de Varsóvia, Radeck Sikorski, que não esconde a sua ambição pelo lugar, também não faz as delícias de Washington.



