Uma rapariga de 16 anos foi enterrada viva pelos seus familiares no Sudeste da Turquia, revelaram os resultados da autópsia. Suspeita-se de um "crime de honra" cometido depois de a jovem ser acusada de se relacionar com homens, adiantou a agência Anatólia. O pai e o avô já foram detidos.
“Medine Medi foi encontrada sentada numa fossa de dois metros de profundidade e as análises revelaram a existência de terra nos seus pulmões e no seu estômago, o que significa que ela foi enterrada viva”, disse à agência de notícias um médico legista cujo nome não foi divulgado.
“A rapariga tinha as mãos atadas e estava viva e consciente quando foi cometido o crime macabro”, adiantou este responsável do Instituto de Medicina Legal de Malatya, uma cidade vizinha de Kahta, onde ocorreu o crime, adiantou a AFP.
O corpo foi encontrado no jardim da casa da família em Dezembro, depois de a vítima ter sido dada como desaparecida durante um mês. Nos últimos anos, o Governo e diversas associações têm-se esforçado para pôr fim aos crimes contra mulheres cometidos por familiares, mas as sondagens mostram que há ainda uma grande tolerância em relação a estes crimes na região de maioria curda. Pressionada pela União Europeia, a Turquia alargou as penas aplicadas a este tipo de crime e os autores podem agora ser condenados a prisão perpétua.
O corpo de Medine Medi tinha sido encontrado em Dezembro, mas só passados dois meses é que foram conhecidos os resultados dos exames feitos por uma equipa de médicos legistas na universidade de Malatya. Não foram encontrados indícios de que Medi tenha sido drogada e segundo uma organização local que combate os "crimes de honra", citada pela BBC, a rapariga já tinha ido à polícia três vezes denunciar agressões, mas acabou sempre por ser entregue à família. Um membro dessa organização chegou a visitar a mãe de Medi depois de o corpo ter sido encontrado, mas não lhe foi dada muita informação.
A prática de "crimes de honra" é frequente naquela região, onde muitas vezes se considera que as raparigas desonram a família por falar com rapazes. Para “lavar a honra” os homens reúnem-se e decidem matar a rapariga ou mulher, o que muitas vezes é feito por um dos membros mais novos da família.
De acordo com as estatísticas do Governo turco, no ano passado foram cometidos 16 crimes deste género na província onde Medine vivia, entre 2003 e 2007. No ano passado um homem turco foi condenado em Londres a prisão perpétua por ter morto, há uma década, a sua filha de 15 anos.



