O prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, vai ser designado primeiro-ministro interino de Timor-Leste, enquanto se aguarda o anúncio de um novo Governo, referiu ontem um responsável político local citado pela AFP, que também alertou para os riscos de fome entre a população que se encontra deslocada.
De acordo com um responsável político, citado pela AFP, Ramos-Horta admitiu no decurso de uma reunião com diplomatas e trabalhadores humanitários que deverá presidir ao próximo conselho de ministros, agendado para terça-feira. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa precisou ainda ter obtido o apoio do ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, que se demitiu segunda-feira na sequência de pressões locais e internacionais.
Alkatiri é acusado de ter estado na origem das violências que abalaram o pequeno país em finais de Maio e que provocaram cerca de 30 mortos, e ainda de ter armado "esquadrões da morte" encarregues de liquidar opositores.
Em paralelo, o regime de coação imposto ao ex-ministro do Interior de Timor-Leste, Rogério Lobato, foi desagravado para a "obrigação de permanência na habitação", referiu ontem à Lusa o seu advogado, Paulo Remédios.
De acordo com o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, Lobato arrisca uma pena de 15 anos de prisão para os quatro crimes de que é acusado: associação criminosa, posse ilegal de armas, conspiração e tentativa de revolução. Rogério Lobato é acusado de distribuir armas a grupos de veteranos da resistência para eliminar adversários políticos do primeiro-ministro demissionário e líder da Fretilin, Mari Alkatiri.
Ainda em declarações à Lusa, o chefe do Governo demissionário assegurou que o Presidente Xanana Gusmão não deverá dissolver o Parlamento nacional de Timor-Leste, e sugeriu que as eleições deverão ocorrer na data prevista, em Abril de 2007. "Esse cenário [dissolução do Parlamento] está afastado. Há indicações muito boas de que o Presidente está disponível e que vai haver diálogo com todos os partidos, incluindo a Fretilin", asseverou Alkatiri.


