Uma série de ataques aéreos das forças de segurança paquistanesas sobre os refúgios dos rebeldes taliban no Vale Tirah resultou na morte de pelo menos 55 insurgentes – mas também as suas mulheres e filhos e outros civis que não tinham ligação à rebelião.
As vítimas mortais dos três raides, feitos na noite de terça-feira na região de Khyber, junto à fronteira com o Afeganistão, foram confirmadas por responsáveis do governo local, admitindo que “algumas das famílias [dos rebeldes] viviam junto aos refúgios e foram também mortas”.
Os ataques mataram também pelo menos seis pessoas – incluindo mulheres e crianças – e deixaram feridas outras quatro, todas membros de uma tribo Pashtun, que seguiam numa estrada próxima ao bastião rebelde. Uma das sobreviventes, identificada como Anar Bacha, de 32 anos, relatou que viajavam num táxi quando “subitamente os aviões apareceram e começaram a atacar”. “Nós somos inocentes. Não somos terroristas”, lamentava, citada pela agência noticiosa britânica Reuters.
O exército paquistanês aumentou significativamente os ataques na região de Khyber, e zonas tribais Pashtun adjacentes, ao longo dos últimos meses, numa nova frente de ataque aos rebeldes que conseguiram escapar-se à grande ofensiva lançada no ano passado contra os bastiões taliban do Vale de Swat e do Waziristão Sul.
As mortes civis que ocorrem na sequência destes raides podem minar os esforços do Governo em conquistar a confiança e apoio das populações na luta contra a rebelião. Em Abril passado, 50 membros de uma mesma família foram mortos num ataque aéreo em Tirah, depois de terem sido erroneamente identificados como rebeldes taliban.



