Quirguistão: Estados Unidos conseguem negociar uso da base de Manas

23.06.2009 - 10:58 Por Dulce Furtado
O Governo do Quirguistão anunciou hoje ter finalmente sido alcançado um acordo com os Estados Unidos que permite a Washington manter o arrendamento da base área quirguize de Manas, mas apenas para o transporte de material não militar com rumo ao Afeganistão.
O entendimento – que há um par de meses era dado como impossível – será analisado e votado ainda hoje pelo Parlamento, onde em Fevereiro fora dada ordem de fecho de portas da base às tropas norte-americanas, avançava um deputado quirguize, não identificado, à agência noticiosa russa RIA Novosti.
“O estatuto da base mudou. E servirá tão só como zona de distribuição de material não militar e é sob esta condição que os Estados Unidos podem permanecer em Manas”, precisou fonte governamental quirguize à agência noticiosa francesa AFP.
A base, pivô crucial na rede de abastecimentos das tropas da coligação internacional no Afeganistão, serviu até ao início deste ano, e desde 2001, como um posto avançado do exército dos Estados Unidos: por ali circulavam cerca de 15 mil militares dos Estados Unidos e 500 toneladas de carga por mês, para além de acolher o gigantesco avião norte-americano de reabastecimento em pleno voo que alimentava os caças em missões de combate no Afeganistão.
Mas em Fevereiro passado, o Presidente quirguize, Kurmanbek Bakiev, deu ordens de despejo dos norte-americanos de Manas, justificando a decisão com a “recusa” de Washington em renegociar os preços de arrendamento da base e com a “impopularidade” das tropas norte-americanas no país. Menos de três semanas depois o Parlamento aprovava o decreto presidencial com a quase unanimidade dos deputados (78 votos a favor e um voto contra), dando seis meses aos Estados Unidos para retirarem todos os seus soldados e equipamento da base aérea.
O anúncio de despejo de Bakiev foi feito então durante uma visita a Moscovo, de onde o Presidente quirguize partiu com uma choruda oferta de empréstimo de dois mil milhões de dólares e mais 150 milhões em ajuda financeira.
Os Estados Unidos franziram o sobrolho, desconfiados de eventual ingerência da Rússia no caso do arrendamento de Manas – e os analistas prontamente viram aqui um exemplo da vitória do soft power russo – mas o Kremlin manteve sempre que não comprara ao regime de Bichkek a cessação do contrato de arrendamento por parte do Quirguistão – um dos países da Ásia Central onde Estados Unidos e Rússia disputam um renovado e muito inflamado jogo de influência geopolítica.


