Quénia: Kofi Annan pede cooperação de Governo e oposição nas conversações

11.01.2008 - 16:42 Por Reuters, PUBLICO.PT
Kofi Annan, antigo secretário-geral das Nações Unidas, instou hoje o Presidente e a oposição do Quénia a cooperarem com a equipa de mediadores que ele chefia, para que seja possível resolver a grave crise política no país. Ignorando os apelos, a oposição convocou novas manifestações para a próxima semana, já ilegalizadas pelas autoridades.
O diplomata ganês confirmou ter aceitado o convite que lhe foi feito pela União Africana (UA) para mediar as negociações entre o Presidente queniano, Mwai Kibaki, e o líder da oposição, Raila Odinga, e pediu a cooperação das duas partes.
“As negociações políticas não são um acontecimento, são um processo que pode demorar muito ou pouco tempo – tudo dependente da cooperação dos líderes”, afirmou Annan, após um encontro com o Presidente do Gana, John Kufuor, actual líder em exercício da UA.
Kufuor delegou em Annan a condução das conversações no Quénia, depois de a segunda visita que efectuou ao país ter terminado ontem sem um acordo entre oposição e Governo. As duas partes aceitarem apenas colaborar com a missão da UA, que não tem ainda um calendário para o início das conversações.
Além do antigo secretário-geral da ONU, a equipa de mediadores incluirá a moçambicana Graça Machel, mulher do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela, e o antigo Presidente da Tanzânia, Ben Mkapa.
“Não queremos impor soluções, mas trabalhar [com Kibaki e Odinga] para chegar a soluções viáveis e duradouras” para pôr fim à violência e resolver a crise humanitária num dos mais prósperos países africanos.
Apesar dos apelos internacionais à contenção, o líder da oposição convocou para quarta, quinta e sexta-feiras da próxima semana manifestações em que será novamente exigida a repetição das eleições. A polícia queniana apressou-se, no entanto, a garantir que os protestos são ilegais, dizendo que se mantêm as preocupações de segurança que justificaram a proibição de anteriores manifestações.
Segundo um balanço oficial, cerca de 500 pessoas terão perdido a vida nos confrontos que se seguiram à reeleição de Mwai Kibaki, em eleições que a oposição garante terem sido fraudulentas.


