Queda do Concorde: Continental Airlines e cinco técnicos vão ser julgados

03.07.2008 - 17:31 Por Agências
Um magistrado francês decidiu levar a julgamento a companhia aérea Continental Airlines e cinco técnicos, incluindo um dos responsáveis do programa Concorde, acusados de homicídio involuntário na queda do avião supersónico em Julho de 2000, nos arredores de Paris. Cento e treze pessoas perderam a vida no acidente.
Segundo o despacho de pronúncia, as investigações provaram que a explosão dos reservatórios de combustível do Concorde da Air France foi provocada pelo rebentamento de um dos pneus do trem de aterragem, ao ser perfurado por uma peça metálica largada por um DC-10 da Continental Airlines que descolara pouco antes do aeroporto Charles de Gaulle. Pedaços da borracha do pneu acabaram por atingir os depósitos de combustível, desencadeando o incêndio que viria a provocar a queda do aparelho.
Tendo em conta estas conclusões, o juiz considera existirem indícios suficientes para acusar a companhia aérea norte-americana de negligência na manutenção dos seus aviões, em particular da frota de DC-10. John Taylor, um dos funcionários da Continental, foi igualmente acusado de negligência por ter apertado mal a peça de metal e, Stanley Ford, outro empregado da companhia, foi acusado de não ter verificado o trabalho do seu colega, tal como lhe competia.
Do lado da Aérospatiale, o construtor do Concorde, actualmente integrado no grupo franco-alemão EADS, vai ser julgado Henri Perrier, responsável pelo projecto dos aviões supersónicos entre 1978 e 1994. Segundo a acusação, o responsável não garantiu que a empresa efectuava as modificações que se impunham no trem de aterragem, apesar de naquele período terem sido registados 70 incidentes relacionados com os pneus.
O juiz decidiu também levar a julgamento Jacques Herubel, engenheiro-chefe do programa Concorde entre 1993 e 1995, apesar de a procuradoria não o ter pedido. O magistrado considera que o técnico deveria ter gerido de forma diferente um incidente semelhante ocorrido nesse período no aeroporto de Londres.
O quinto arguido neste processo é Claude Frantzen, responsável pela segurança da Direcção Geral de Aviação Civil (DGAC) francesa entre 1970 e 1994, a quem competia obrigar as companhias aéreas a efectuar as modificações que os incidentes então registados impunham. Com efeito, só depois do acidente de 25 de Julho de 2000 foi montada uma protecção adicional nos reservatórios de combustível situados sob as asas – alteração que teria sido suficiente para evitar a queda do Concorde e a morte dos seus 109 ocupantes. Outras quatro pessoas que se encontravam no solo perderam também a vida no acidente.
Segundo a imprensa, o julgamento deverá arrancar dentro de dois ou três meses, num tribunal da região de Paris, mas a maioria das famílias das vítimas não deverá constituir-se como assistente neste processo, já que receberam da companhia aérea uma indemnização considerável.


