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Hamas deve rever a sua posição sobre Israel e a violência

Quarteto condiciona apoio a futuro Governo palestiniano

30.01.2006 - 22:13 Por AFP, Reuters

O Quarteto - Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU - condicionou hoje a continuação das ajudas internacionais à Autoridade Palestiniana ao final da violência na região, ao reconhecimento de Israel e ao respeito pelo “Roteiro de paz” para o Médio Oriente, anunciou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Annan afirma que se o Hamas rever a sua posição, a comunidade internacional estará disponível para o diálogo Annan afirma que se o Hamas rever a sua posição, a comunidade internacional estará disponível para o diálogo (Lindsey Parnaby/EPA)

“O Quarteto concluiu que é inevitável que a assistência futura seja revista pelos doadores em função do empenho do Governo palestiniano no princípio de não-violência, no reconhecimento de Israel e aceitação dos acordos e obrigações existentes, e no cumprimento do ‘Roteiro de paz’”, afirmou Annan durante uma conferência de imprensa, em Londres, onde os membros do Quarteto estiveram reunidos.

O encontro teve como objectivo analisar a vitória do movimento radical islâmico Hamas nas eleições palestinianas. O Hamas conseguiu 74 lugares no Parlamento palestiniano, à frente da Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmmud Abbas, que irá ocupar 45 assentos.

A vitória do Hamas lançou uma nova sombra sobre o processo de paz no Médio Oriente, já que o movimento, agora no poder, não reconhece a existência do Estado de Israel e garante que não irá renunciar à luta armada.

Porém, segundo o secretário-geral da ONU, se o Hamas alterar a sua posição poderá contar com o apoio da comunidade internacional. “Se o Hamas conseguir transformar-se de um movimento armado para um partido político, respeitando as regras do jogo, penso que a comunidade internacional estará apta a trabalhar com ele”, afirmou o alto responsável.

Antes da reunião do Quarteto, o Presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que não apoiará um Governo palestiniano formado pelo movimento radical islâmico se este se recusar a reconhecer Israel.

Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou, após um encontro com o primeiro-ministro interino israelita, Ehud Olmert, que a União Europeia não financiará a Autoridade Palestiniana sob o Governo do Hamas, se o movimento radical islâmico insistir em não reconhecer Israel e continuar com a violência.

O Hamas respondeu hoje, através de um dos seus principais líderes, Ismail Haniyeh, que o movimento pede um diálogo “sem condições com um espírito de neutralidade” e a continuação do financiamento à Autoridade Palestiniana.

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