O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e outros quadros do seu partido da oposição tradicional moçambicana, fortemente penalizada pelos resultados das eleições presidenciais e legislativas da semana passada, estão a reagir com ameaças.
"Estamos preparados para dividir a província de Sofala a partir do rio Save. Se a polícia tem armas, nós sabemos manejar estas armas", disse ontem, na cidade da Beira, o delegado político da Renamo na região, Fernando Mbararano, hoje citado pelo jornal electrónico mediaFAX.
A ameaça poderá ser concretizada assim que o partido que praticamente viu reduzida a metade a sua votação, segundo os resultados provisórios, confirmar as informações de alegada viciação dos dados fornecidos pelos distritos daquela província do centro do país, acrescentou Mbararano.
Anteriormente, o próprio Dhlakama, que aparentemente não terá conseguido nas presidenciais mais do que 14 por cento dos votos válidos, face aos 77 do Chefe de Estado ainda em exercício, Armando Guebuza, já falara de "incendiar e tomar o país pela força", se acaso se confirmassem as alegadas irregularidades quanto às eleições de dia 28 de Outubro.
O delegado político da Renamo em Sofala falou de enchimento de urnas com votos favoráveis à Frelimo e a Guebuza, seu chefe, além de que as autoridades policiais teriam impedido muitas pessoas de votar.
Entretanto, o Instituto Eleitoral para a África Austral (EISA) acrescentou mais críticas à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e surgiram dados de que a abstenção poderia ter alcançado os 60 por cento da população inscrita nos cadernos eleitorais.
A missão de observação eleitoral da Commonwealth também entendeu que a CNE não foi transparente na condução de todo este processo, em que além do Presidente da República e da Assembleia a nível nacional também se escolhiam as assembleias provinciais.
Conhecidos até agora os resultados quanto a 72 por cento das assembleias de voto, a Frelimo está em vias de obter 194 dos 250 deputados, incluindo os dois pela emigração, ficando a Renamo com 48 e o jovem Movimento Democrático de Moçambique (MDM), apenas autorizado a concorrer em quatro círculos, com oito.



