A ideia estava na cabeça de toda a gente, quando Vladimir Putin apresentou Dmitri Medvedev como seu candidato à presidência da República da Rússia: ele havia de voltar à presidência em 2012. E hoje, numa reunião com investigadores e jornalistas estrangeiros, Putin deu um sinal mais forte de que assim será. “Vamos levar todas as coisas em conta e decidir entre nós. Vamos chegar a acordo porque somos farinha do mesmo saco”, comentou, com um sorriso aberto.
Putin saiu da presidência da Rússia em 2008, passando para o posto de primeiro-ministro, deixando o seu colaborador próximo, Medvedev, concorrer às eleições presidenciais, com o seu apoio. “Se houve competição em 2007 entre nós? Não, e não a teremos em 2012”, disse Putin no Clube Valdai, citado pelo jornal britânico “The Guardian”.
A Era Putin, que começou em 2000 – quando o ainda Presidente Boris Ieltin lhe transmitiu o poder, dizendo que ele era o homem para o novo milénio da Rússia –, pode assim prolongar-se por mais uma década.
É que, de acordo com a nova Constituição, o próximo Presidente pode cumprir dois mandatos de seis anos seguidos. Portanto, Putin terá a possibilidade de se manter como senhor do Kremlin até 2024, quando terá 72 anos.
Será isto sinal de um défice democrático na Rússia? Não, diz Putin. “Quando um bom amigo meu [Tony Blair] se retirou, Gordon Brown tornou-se automaticamente primeiro-ministro. As pessoas do Reino Unido tiveram algo a dizer?”
Depois deste exemplo escolhido a dedo para calar as críticas ocidentais, Putin continuou. “No meu país, a minha vez chegou ao fim. Sugeri o nome de Dmitri Medvedev porque pensei que ele era a pessoa certa para liderar o país. E tinha razão.”


