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Em Davos, no Fórum Económico Mundial

Putin responde a oferta tecnológica da Dell com um “obrigado, mas não precisamos”

29.01.2009 - 12:52 Por Dulce Furtado

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A resposta de Putin aconteceu na sessão de abertura do Fórum Económico Mundial A resposta de Putin aconteceu na sessão de abertura do Fórum Económico Mundial (Pascal Lauener/Reuters)
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, é amplamente conhecido pela susceptibilidade – no mínimo – e rispidez com que reage a perguntas e afirmações que põem em causa o orgulho russo. O patrão da fabricante norte-americana de computadores Dell, Michael Dell, descobriu isso pessoalmente, ontem à noite – num debate aberto em Davos, na sessão de abertura do Fórum Económico Mundial, quando se ofereceu para ajudar a Rússia a vencer os desafios tecnológicos.

“Fizeram enormes progressos, mas ainda há espaço para desenvolver [na Rússia] o sector das tecnologias. Como é que nós, como empresa de tecnologias de informação, vos podemos ajudar?” Não é o tipo de pergunta que agrade a Putin – sob cuja tutela de oito anos de presidência e quase um ano de chefia de Governo a Rússia se reergueu para se assumir, de novo, como uma potência mundial.

Mais. Os líderes russos já deixaram bem claro nesta última década o quanto lhes desagradam parcerias propostas pelo Ocidente, que não sejam desenvolvidas em pé de igualdade e de respeito mútuo – sobretudo depois da avalanche de consultores ocidentais pagos a peso de ouro que inundaram Moscovo na década de 1990 com o colapso da União Soviética.

Por isso, não foi de estranhar que à palavra “ajudar” Putin se tenha virado na cadeira para olhar directamente para Dell. Abriu os olhos, numa reacção de incredulidade, e esperou mais alguns segundos para que o muito bem-sucedido fabricante de computadores terminasse a pergunta. Depois, seguiu-se disparo atrás de disparo.

“Mas nós não precisamos de ajuda nenhuma. Não somos inválidos. Nem temos capacidades limitadas”, afirmou Putin, passando a descrever alguns dos feitos do Kremlin na execução do programa federal Rússia Electrónica. “Pusemos computadores e acesso à internet nas mais recônditas cidades da Sibéria. Consegue imaginar o que foi este desafio há alguns anos? Mas fizemo-lo. Fomos capazes. E todas as escolas na Federação Russa – todas, sublinho – têm computadores e acesso à internet”.

Sublinhava já hoje a revista Fortune que a resposta de Putin “surpreendeu muitas pessoas na audiência”, a quem não ocorrera – nem ao próprio Dell – sugerir uma incapacidade tecnológica da Rússia. Mas, conforme Putin prosseguiu a resposta, foi perceptível qual o objectivo do primeiro-ministro russo: deixar bem claro o quanto vale a indústria de tecnologias russa, com “muitas empresas a operarem serviços telefónicos móveis em economias em desenvolvimento” e outras “a agirem no mercado global das tecnologias”. E numa bofetada verbal directamente dirigida a Michael Dell: “Não apenas na área do hardware, mas também na dos produtos intelectuais, do software”.

“Agradeço-lhe a alusão a esta questão”, disse ainda Putin, já adivinhar-se-lhe uma expressão de gozo. “Temos tradicionalmente uma muito forte escola de matemáticos na Rússia. E os nossos programadores são dos melhores do mundo, não tenha dúvida disso. Ninguém o contesta. Até os nossos colegas na Índia o reconhecem. Nós damos conta do recado”.

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Pois

Não sejam idiotas! Estão a comparar a Rússia com Portugal? Acham mesmo que qualquer 1º ministro ...

Portuga

29.01.2009 23:03

X

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